Valter Campanato / Agência Brasil
Valter Campanato / Agência Brasil

Presidente da Caixa viaja pelo País para conhecer banco e se aproximar de políticos

Desde que assumiu o banco, Pedro Guimarães se encontrou com seis governadores e sete prefeitos

Adriana Fernandes e Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2019 | 16h09

BRASÍLIA - Desde que assumiu, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, aproveita os fins de semana para rodar o País com o objetivo de ver de perto a situação do banco na ponta e prospectar novos negócios. Além de se aproximar de funcionários e empresários, Guimarães também se encontrou com seis governadores e sete prefeitos, momento em que aproveita para ampliar a participação do banco na gestão da folha de pagamento de Estados e municípios.

Desses encontros também surgiu a ideia de ampliar a participação do banco estatal em projetos de interesse dos governos regionais, como iluminação pública. Já foram fechados 47 contratos com administrações públicas, com a garantia do recebimento do empréstimo pela taxa de iluminação pública. É o que vem sendo chamado no banco de "consignado" da infraestrutura. A ideia é multiplicar a ideia em centenas de cidades.

"Como a realidade do Brasil é muito diferente, a gente chega e conversa para entender o País e resolver os problemas ", diz Guimarães, que já visitou os Estados de Roraima, Acre, Rondônia, Amapá, Piauí e Amazonas.

Nessas viagens, Guimarães também aproveita para visitar os projetos financiados pelo banco, principalmente as do Minha Casa, Minha Vida. Segundo ele, o objetivo dessas viagens é se aproximar dos funcionários, dos políticos locais (governadores e prefeitos). "Na ponta, você vê os problemas. É algo que efetivamente faz a diferença. Muitas das ideias vieram a partir desses problemas que a gente teve".

Soluções, por exemplo, já partiram dessas viagens. A Caixa fez um convênio com a Marinha para oferecer o serviço bancário nas embarcações militares na região. No Amazonas, os dois barcos da Caixa, que funcionam com agência bancária, em muitas localidades só passam uma vez por mês a cada seis meses. Se um beneficiário de programas do governo erra a senha por três vezes e tem o cartão bloqueado, como já ocorreu, só conseguia resolver o problema meses depois, já que o desbloqueio tem que ser presencial.

Minha Casa, Minha Vida

 A Caixa também decidiu criar uma lista com notas de eficiência para as empresas que constroem casas para o Minha Casa, Minha Vida. Aquelas com notas melhores, que entregam as obras e com boa qualidade, terão prioridade nos financiamentos. A avaliação será feita em Brasília, mas mensurada de acordo com as diferenças regionais.

O banco também vai lançar em abril a sua maquininha de cartão própria. A ideia é avançar nesse mercado que a Caixa ficou de fora, embora tenha 97 milhões de cartão de débito para somente cinco milhões de cartão de crédito. Uma situação que, segundo Guimarães, não faz sentido diante do número dos seus clientes. "A Caixa é o único banco que não tem um adquirente (maquininha)", diz.

Guimarães antecipou que o banco vai fazer um leilão para fechar contrato como adquirente. "A gente não pode não explorar a questão de recebíveis. Como o maior banco do Hemisfério Sul recebe zero em pré-pagamento? Vou ter um adquirente só e vou ter uma participação na receita de recebíveis", afirmou.

A Caixa também pretende usar essa força que tem de grande penetração nacional para ampliar as grandes operações de governo, como as folhas de pagamento de servidores. "Se a gente ganha uma conta grande de um governo num Estado menor, a gente vai ter que abrir. Não vamos fechar uma única agência de uma cidade", diz o presidente.

Um dos focos na área de cartões será o lançamento do cartão consignado. A meta é ter 20 milhões de cartões nos próximos quatro anos. O produto, diz ele, terá a menor taxa entre os cartões de crédito pessoal, com 96 meses para pagar (oito anos). O banco vai pode emprestar até 30% da renda. "A grande vantagem é a bancarização dos clientes. Na Região Norte, as distâncias são muito grandes, o cartão permite que os clientes tenham acesso sem precisar ir à agência", avalia.

Lotéricas

O banco também vai aproveitar a rede de 13 mil lotéricas, que praticamente só vendem jogos, para disponibilizar cartões e seguros. "O cartão consignado e microsseguros certamente vão vender que nem água. São produtos para baixa renda", prevê.

Crédito

O banco também vai concentrar as baterias para o financiamento das pequenas e médias empresas. "A grande empresa não precisa da Caixa", diz. Na área de financiamento imobiliário, o banco vai reforçar a oferta para a classe média. Guimarães prevê uma retomada forte do crédito em geral em 2019, depois de anos de queda: "Agora temos um cenário positivo. Acredito muito nas pequenas e médias empresas e crédito pessoal mais barato".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.