Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Presidente da Câmara critica governo e política de preços da Petrobrás

Rodrigo Maia (DEM-RJ) também desaprova uso de Forças Armadas para conter os protestos pelo Brasil

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

25 Maio 2018 | 20h33

BRASÍLIA - O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou nesta sexta-feira, 25, pontos relacionados à política de preços da Petrobrás. Para ele, o preço livre está correto, mas não estão corretas a incorporação da variação cambial ao valor dos combustíveis e a política de aumento diário. Apesar das críticas, o parlamentar fluminense defendeu a permanência do atual presidente da petrolífera, Pedro Parente, no cargo.

"A política de preços livre da Petrobrás está correta. O que não está correto e não é necessário, por exemplo, é incorporar a variação cambial ao preço, ao aumento dos preços. O que não está correto é ter uma política de aumento diária. Não tem nenhum país do mundo, pelo menos que eu conheça, que todo dia se aumenta o preço do combustível.", declarou. Para ele, a Petrobrás deveria, com a liberdade de preço, implantar uma política com mais previsibilidade para a sociedade.  

O presidente da Câmara afirmou que, pela qualidade e capacidade de articulação, Parente vai compreender que "essa política de mudança diária do preço do combustível gera muita insegurança para quem trabalha com combustível". "Ele fazendo uma política gerando um colchão, com toda liberdade, para que não fique com flutuações diárias, tenho certeza que ele faz um bom trabalho na Petrobrás.", disse. "E não acredito que tirá-lo agora vai mudar o Brasil.", emendou.  

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Maia voltou a defender que o governo edite um decreto zerando a PIS-Cofins do diesel e diminuindo a alíquota da contribuição para a gasolina e o etanol. "Não precisa ser por lei, não tenho nenhuma vaidade que se aprove o projeto da Câmara", afirmou. Na quarta-feira, 23, a Casa aprovou alíquota zero para PIS-Cofins do diesel junto com o projeto da desoneração da folha. A matéria foi enviada para o Senado. Para ele, subsídio para preço de combustíveis tem de vir do Orçamento da União e não da Petrobrás.

O presidente da Câmara defendeu que o governo pense em políticas públicas para devolver para a sociedade o excesso de arrecadação. "O governo tem que entender também que as pessoas não vivem dos números. As pessoas precisam trabalhar, pagar suas contas, cuidar de seus filhos e das suas famílias. Para isso, o governo precisa arbitrar políticas de compensação para sociedade", afirmou. "Tem que se pensar políticas em que esse excesso de arrecadação possa voltar para sociedade."

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Maia citou o exemplo do projeto de privatização da Eletrobrás. Para ele, o governo precisa deixar claro para onde irão os recursos obtidos com a proposta. "O governo está querendo privatizar a Eletrobrás. Para onde é que vão esses recursos? Temos sempre que pensar numa sociedade que está sofrendo muito e precisa da atenção do governo", afirmou o parlamentar fluminense. 

Exército. Rodrigo Maia (DEM-RJ) também criticou a decisão do presidente Michel Temer de usar as Forças Armadas para desobstruir as estradas bloqueadas pelos caminhoneiros, que protestam contra o alto preço dos combustíveis. Em entrevista à imprensa, ele disse que a continuidade da manifestação da categoria mesmo após acordo com o governo é resultado da falta de credibilidade das palavras de Temer. 

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"O (uso do) Exército é desnecessário. (...) A utilização das Forças Armadas não parece o passo correto nesse momento. Os manifestantes estão dialogando. Uma parte ontem deixou claro que o acordo que vinha sendo feito não ia impactar a ponta, e foi o que aconteceu", afirmou. "Então, acho que tem que tomar cuidado. Desobstruir a estrada é uma coisa, usar as Forças Armadas é outra. As Forças Armadas têm que ocupar outro papel nessa história", emendou. 

Para o presidente da Câmara, é preciso limite tanto para a ação dos manifestantes quanto para do governo. "Infelizmente, as palavras do presidente estão tendo pouco credibilidade com a sociedade, que de forma legítima está se manifestando", declarou. "Quando a sociedade é atingida, os hospitais são atingidos, as escolas são atingidas, não é bom. Bom é que, através do diálogo, através da credibilidade da palavra de cada um de nós, se consiga avançar", acrescentou.

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Maia fez duras críticas ao governo em geral. Para ele, o País vive atualmente a "crise mais profunda da nossa história". "O Brasil sai da recessão no governo do presidente Michel Temer, mas, do ponto de vista da melhoria da qualidade de vida das famílias, não aconteceu nada. Porque todas as empresas com muita capacidade ociosa, não tem ninguém gerando novos empregos e principalmente empregos de qualidades, melhorando a renda do trabalhador. ", disparou.

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