EFE/EPA/CHRIS RATCLIFFE
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Presidente da China ataca ação protecionista dos Estados Unidos

Na cúpula do Brics, na África do Sul, Xi Jinping afirma que o mundo enfrenta uma escolha entre a ‘cooperação e o confronto’

Felipe Frazão, enviado especial, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2018 | 23h11

O presidente da China, Xi Jinping, disse nesta quarta-feira, 25, que o mundo enfrenta “uma escolha entre cooperação e confronto” em meio a uma guerra comercial com os Estados Unidos, sobre a qual ele alertou que não haverá vencedor. “Aqueles que buscam hegemonia econômica só vão acabar se machucando”, disse Xi durante o encontro anual do Brics, bloco de países que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – sede da reunião deste ano.

“Unilateralismo e protecionismo estão aumentando, dando um duro golpe ao regime multilateral de comércio”, acrescentou ele, criticando a escalada tarifária promovida pelos EUA contra produtos chineses e outros parceiros comerciais. Apenas algumas horas antes, o presidente americano, Donald Trump, acusou a China de táticas “viciosas” no âmbito comercial, ao tuitar que o país estava se direcionando especificamente aos agricultores americanos com tarifas retaliatórios porque “eles sabem que eu os amo e os respeito”.

De acordo com Xi Jinping, “a atual ordem internacional não é perfeita”, mas não deve ser descartada “desde que seja baseada em regras, seja equitativa e busque resultados com ganhos mútuos como seus objetivos”. Durante o encontro do Brics, ele disse, ainda, que está “diante de uma escolha entre cooperação e confronto, entre abertura e uma política de portas fechadas”.

O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, também expressou preocupação com “o aumento de medidas unilaterais que são incompatíveis com as regras da Organização Mundial da Comércio (OMC)” e são especialmente prejudiciais para países em desenvolvimento.

Temer. O presidente do Brasil, Michel Temer, aproveitará a participação na 10.ª Cúpula do Brics, para fazer reuniões bilaterais com o presidente da China, Xi Jinping, e com o presidente sul-africano. Os dois encontros foram confirmados nesta quinta-feira, 26: o primeiro pela manhã, e o segundo à tarde. Temer discursará também na abertura da reunião plenária da cúpula.

Conforme a Presidência, acompanham o presidente no voo à África do Sul os ministros da Agricultura, Blairo Maggi; dos Transportes, Valter Casimiro; da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Jorge; e da Casa Civil, Eliseu Padilha. O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, virá em voo separado. O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, já está na cidade.

Ainda nesta quinta Temer participará à tarde de uma cerimônia de assinatura de atos e memorandos, como o acordo para instalação de uma sede do NDB, o Banco do Brics, em São Paulo, que deverá funcionar a partir de 2019. O presidente ainda tem agenda em aberto ao longo do dia.

Na sexta-feira, antes de retornar ao Brasil, Temer participará de discussões sobre o futuro do Brics, no encontro chamado Retiro dos Chefes de Estado e de Governo do Brics. Depois, vai se reunir com presidentes e primeiros-ministros de países convidados, como Argentina, Jamaica e Turquia, além de uma série de países africanos: Angola, Botsuana, Etiópia, Gabão, Lesoto, Madagáscar, Malauí, Ilhas Maurício, Moçambique, Namíbia, Ruanda, República Democrática do Congo, Seychelles, Senegal, Tanzânia, Togo, Uganda, Zâmbia e Zimbábue. Ele descartou inaugurar um centro de treinamento da Embraer no país, segundo a Presidência. / COM ASSOCIATED PRESS 

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