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Presidente da China diz que pretende cooperar com Obama

Para assessores, presidente dos EUA eleito deve ver Pequim como um aliado, não como rival

Claudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo, e agências internacionais,

09 de novembro de 2008 | 14h18

O presidente da China, Hu Jintao, garantiu neste domingo, 9, que irá trabalhar em conjunto com o presidente americano eleito, Barack Obama, em questões globais, incluindo a crise financeira. A emergência no país asiático como potência global deve representar o mais importante desafio da política externa dos EUA no século 21. E o melhor caminho para enfrentá-lo é o diálogo e o "engajamento", e não a crítica e o confronto. Essa é a posição do principal assessor para Ásia do presidente eleito Barack Obama, Jeffrey Bader, diretor do John L. Thornton China Center, do Brookings Institution.   Veja também: Mantega destaca fortalecimento do G-20 Crise adia 'mudança' prometida por Obama   Hu disse que a China quer manter um grau elevado de intercâmbio com os Estados Unidos e continuar com os diálogos que os países têm sobre temas políticos e econômicos. Neste domingo, Pequim anunciou ainda a liberação de um pacote de estímulo de 4 trilhões de iuans (586 bilhões de dólares) até 2010 para impulsionar a demanda doméstica. Os investimentos serão concentrados em infra-estrutura, bem-estar social e outros setores importantes do país, acrescentou a agência.   "Se tratarmos a China como um inimigo, vamos ter um inimigo. Mas, se nós tratamos a China como um potencial parceiro, nós vamos ganhar em cooperação e apoio", escreveu Bader, num texto de aconselhamento aos candidatos presidenciais, elaborado em parceria com Richard C. Bush III, também do Brookings Institution.   O governo chinês recebeu a eleição de Obama com mais entusiasmo do que seria esperado, já que os democratas costumam ser identificados com medidas protecionistas, potencialmente prejudiciais às exportações do país asiático. O presidente eleito terá uma posição menos unilateral na relação com os demais países do que seu antecessor, na avaliação de Cui Liru, presidente do Instituto Chinês de Relações Internacionais Contemporâneas, entidade vinculada ao Conselho de Estado da China.   Unilateralismo   "Os EUA são uma superpotência, mas não podem continuar com sua política unilateral e isso é compreendido por um número crescente de americanos", disse Liru, em encontro com correspondentes estrangeiros em Pequim, na sexta-feira. A interdependência econômica entre China e EUA será acentuada no futuro, especialmente depois da crise financeira, acredita Liru. A cooperação entre os dois países será fundamental no enfrentamento de problemas globais, da atual turbulência econômica à mudança climática.   Com a maior população do mundo e um crescimento anual médio de quase 10% por três décadas, a China já é a terceira maior economia do planeta. Se continuar no atual ritmo, assumirá o primeiro lugar por volta de 2030. O país possui armas nucleares, investe na modernização do Exército, é o maior emissor de gases causadores do efeito estufa e disputa com os EUA o acesso a fontes de energia para alimentar seu crescimento.   Para Bader e Bush III, o ponto de partida para o presidente eleito é a manutenção da estratégia desenhada em 2005 pelo então vice-secretário de Estado, Robert Zoellick, que conclamava a China a ser um ator "responsável" em temas internacionais e propunha cooperação com o país. Na avaliação de Cui Liru, os conselheiros do presidente eleito têm uma compreensão mais "realista" e "moderada" da China do que a atual administração, com a qual Pequim já possui uma relação bastante positiva.   Dentro do modelo desenhado pelos republicanos, o assessor de Obama propõe o aprofundamento da política de "engajamento" da China nas instituições que regem atualmente as relações internacionais. Essa postura deve ser reforçada pela decisão dos próprios EUA de deixarem de agir unilateralmente e também adotarem uma ação "responsável" no cenário mundial, observa.   Bader e Bush III também ressaltam que a China pode ter um papel crucial no apoio aos esforços americanos para impedir que Irã e Coréia do Norte desenvolvam armas nucleares. Eles defendem ainda que o futuro presidente estimule investimentos chineses nos EUA, uma mudança radical em relação ao governo republicano. Com quase US$ 2 trilhões em reservas internacionais, a China deveria ser persuadida a investir mais, diz o assessor de Obama.

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