Presidente da Cirio diz que grupo vai declarar concordata

A companhia italiana Cirio SpA vai declarar concordata, após sua comissão administrativa não ter conseguido novamente apresentar um plano de resgate de última hora, afirmou o presidente do grupo, Giovanni Fontana, depois de reunião com membros da comissão executiva da companhia. "Os acionistas podem agora lançar mão dos procedimentos de concordata segundo a lei Prodi", disse uma fonte ligada ao setor bancário. A lei prevê que uma nova equipe administrativa seja nomeada pelo governo italiano, enquanto que as atividades do grupo podem continuar, mas sem a aquisição de novos contratos. Ao mesmo tempo, as dívidas dos credores estão congeladas. "Mas a história da Cirio não acaba aqui", acrescentou Fontana. A empresa foi declarada no final do ano passado em default (calote) sobre bônus não classificados de 1,1 bilhão de euros, a maior parte dos quais foi parar nas mãos de clientes de varejo que alegam que não haviam sido informados do risco que a dívida continha. Pedido de ajuda A equipe administrativa da Cirio chegou a pedir ao governo italiano que lhe ajudasse a se salvar da concordata. O ministro de Agricultura do país, Giovanni Alemanno, descartou na semana passada um pacote de ajuda financeira estatal para a Cirio, mas sugeriu que a agência governamental de desenvolvimento, a Sviluppo Italia, poderia intervir para assegurar a continuação das operações industriais sem atrapalhar os mercados agrícolas. No começo desta semana, a Cirio afirmou em comunicado que sua equipe administrativa estava negociando com seus bancos credores para alterar o plano de troca de dívida por ações, melhorando a oferta de conversão feita aos portadores de bônus. Entre os credores da empresa estão algumas das maiores instituições financeiras da Itália, como a Capitalia SpA, Banca Nazionale del Lavoro SpA, Sanpaolo IMI SpA e Banca Intesa SpA. O ministro da Economia da Itália, Giulio Tremonti, disse ontem que as leis nacionais rígidas que restringem as vendas de bônus corporativos para investidores institucionais foram deixadas de lado com a emissão de bônus, como fez a Cirio no exterior. No começo deste mês, Tremonti destacou que os reguladores de mercado e os bancos devem ser os responsáveis pelo desastre causado pelo default. As informações são da Dow Jones. No Brasil, a Cirio tem ligação com a Bombril. Atualmente, o controle da companhia voltou para o ex-dono José Paulo de Sousa, devido à decisão judicial. Os papéis preferenciais (PN, sem direito a voto) da Bombril recuavam 9,27% há pouco, para R$ 4,50.

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