Presidente da CNI defende diálogo entre indústrias e governo

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro, reconheceu que alguns setores industriais estão recompondo suas margens de lucro de "forma intensa", pressionando a inflação, mas desaconselhou o governo a recorrer a uma eventual redução de alíquotas de importação como forma de tentar baratear o preço de produtos no mercado interno. Monteiro defendeu "o caminho do diálogo" entre governo e setor privado para se encontrar uma forma de conter as pressões inflacionárias, seja as provocadas pelo setor privado ou mesmo pelo governo.Ele disse que a conversa que manteve com o presidente, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, na semana passada, foi franca, em que todos falaram abertamente sobre as várias nuances dos fatores que, atualmente, podem estar contribuindo para uma elevação da taxa de inflação. O diagnóstico apresentado pelo presidente da CNI aponta para um círculo vicioso, no qual o governo também tem sua parcela de responsabilidade: "O governo gasta mais e mais, aumenta as tarifas, aumenta a carga tributária e cria inflação. É um círculo vicioso", comentou.Na defesa do "caminho do diálogo", o presidente da CNI descartou opções como pacto social. "Isso não dá resultados", comentou. "O que funciona é o diálogo permanente". O objetivo dos dois lados, segundo ele, é o de preservar o processo de retomada do crescimento econômico. E comentou que não se trata tampouco de medidas como a redução das tarifas de importação, assunto que, segundo ele, não foi conversado durante o encontro com o presidente.No encontro, Meirelles e Palocci explicaram ao presidente da CNI que o BC precisa agir de forma implacável quando nota pressão inflacionária, inclusive porque o Brasil ainda preserva uma cultura inflacionária e permanece o risco de uma inflação baixa se acelerar rapidamente. "Tem uma inflação de 10%, mas se deixarem ela vira 20%, 30% e aí acabou", comentou Monteiro. "Por isso o Meirelles se coloca numa posição de xerife, de guardião da moeda", acrescentou.Armando Monteiro reconheceu que existem dúvidas se as empresas estão ou não repassando aos consumidores os ganhos de produtividade que têm conquistado, o que poderia pressionar por uma baixa nos preços. "Também houve ganhos de produtividade nas indústrias brasileiras e não sabemos se eles foram repassados ao consumidor". O presidente da CNI disse que sua condição de representante da indústria não o impede de discutir esses pontos. "Não gosto de ficar em posições rígidas", comentou. "Acho que precisamos ter flexibilidade de olhar todos os aspectos".

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