Presidente da CSN cobra firmeza do governo para debelar crise

Na avaliação de Benjamin Steinbruch, a crise política ainda não está afetando a economia, mas o presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) pede uma atitude mais firma do governo para evitar que a atual situação se estenda por muito tempo. "Eu acho que nós estamos num bom momento - talvez até um pouco atrasados - para abafar esta crise política", queixou-se o empresário em entrevista ao Roda Viva, da "TV Cultura". Ele explicou que fala em "abafar" no sentido de investigar, tomar todas as providências rapidamente e partir para uma agenda positiva. "A partir daí, o presidente tem uma chance de recompor o seu governo, do ponto de vista de pessoas e de estrutura, reduzindo o número de ministérios, para reduzir gastos e também ter um poder gerencial maior sobre os ministérios." O empresário credita essa imunidade da economia à política monetária austera do ministro Antonio Palocci. "Foi feito um trabalho muito duro por parte do ministro Palocci, estamos sofrendo um arrocho monetário grande", lembrou o presidente da CSN. Segundo Steinbruch, devido a essa política, o Brasil ainda tem crédito no exterior. Mas essa situação não deve perdurar por muito mais tempo. "Se não se providenciar rápido uma mudança de perspectiva, certamente a gente vai perder todo o esforço que foi feito durante esses dois anos e pouco". Ao ser questionado mais uma vez sobre a questão política, que estaria provocando mudanças de planos de muitas empresas, com o engavetando de diversos planos de investimentos, Steinbruch disse que o motivo é outro. "Você não tem investimentos se não tem perspectivas de exportação e se não tem perspectivas de mercado interno. Vai investir para quê?", indagou o empresário, criticando a política de juros altos do Banco Central. Mesmo assim, ele admitiu que em função dessa política o País vem conseguindo controlar a inflação. "Mas, juro alto com o real valorizado, você vai investir para quê?", insistiu. O presidente da CSN também fez restrições à política cambial do governo, que estaria provocando a "exportação de investimentos" brasileiros para o exterior. "O real valorizado é um convite ao investimento lá fora. Se for analisar as perspectivas de mercado interno, realmente elas são muito restritas", analisou Benjamin Steinbruch. Ele disse que algumas empresas investem na produção no Brasil de matérias-primas básicas para agregar valor no exterior e outras, como a Gerdau, estão partindo para comprar plantas de fábricas no exterior. "É uma tendência e preocupa", assinalou. "A gente gostaria que esse esforço todo fosse feito dentro do Brasil e que propiciasse novos investimentos, com melhoria de emprego, renda e consumo aqui dentro." Benjamin Steinbruch reivindica uma "atenção especial" do governo para manter o controle de empresas nacionais naqueles setores que ele considera mais competitivos da indústria brasileira. "O Brasil tem que se dedicar àqueles setores em que ele é competitivo, que são pouquíssimos: a mineração, a siderurgia, a celulose, agribusiness, o têxtil e calçados", citou o empresário. Ele disse que não vale a pena ficar tentando dar competitividade a eletrônicos e fármacos, por exemplo, em que o Brasil não tem vantagens competitivas. "Entregar os setores em que nós somos competitivos para estrangeiros, realmente não me agrada. Eu acho que se deveria ter uma atenção especial com eles."

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