Presidente da CVM pode antecipar saída

O presidente da Comissão de Valores Mobiliários, José Luiz Osório, admitiu, pela primeira vez, a possibilidade de deixar o cargo antes de 31 de dezembro, quando acaba o mandato do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. "Já falei que fico entre hoje e 31 de dezembro, mas posso sair antes", insinuou, para depois emendar: "Estou há quatro anos, um no BNDES e os outros na CVM. Acho que já cumpri meu dever. Esse é o meu limite." Desde o final do ano passado o mercado financeiro especula sobre a saída de Osório. Entre os nomes mais cotados nas bolsas de apostas para substituí-lo estariam a atual diretora da CVM Norma Parente; o advogado Luiz Leonardo Cantidiano, do escritório Tozzini, Freire, Texeira e Silva; e o diretor de Normas do Banco Central, Sérgio Darcy. Osório não entra em detalhes sobre os motivos de seu provável afastamento, mas há rumores de que sua saída estaria sendo motivada por um misto de questões pessoais e descontentamento salarial. Atualmente, o salário de presidente da CVM, órgão fiscalizador do mercado vinculado ao Ministério da Fazenda, é de cerca de R$ 6 mil. O presidente da CVM fala com naturalidade sobre a mudança na presidência do órgão e acha que a entrada de um novo titular, já dentro das regras da nova Lei das Sociedades Anônimas, poderia ser interessante para preservar a independência do órgão no próximo governo. A partir da promulgação da lei, a diretoria da CVM passa a ter mandato fixo e o presidente será sabatinado pelo Congresso antes de assumir o cargo. Por este motivo, ainda não foi nomeado um substituto para o diretor Marcelo Trindade, que deixou a CVM há quase dois meses. "Talvez faça sentido um presidente com mandato fixo para mostrar que a lei e as instituições são fortes. Isso asseguraria a independência da autarquia."

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