Presidente da Eletropaulo alerta para necessidade de investimento

O executivo Luiz David Travesso, 40 anos, paulista de Ribeirão Preto, escolheu o último dia de sua gestão como presidente da AES Eletropaulo para fazer uma advertência: somente a estagnação da economia está evitando nova crise de energia. Segundo ele, o setor elétrico no País enfrenta o impasse das tarifas. Somente se, e quando, for resolvido esse difícil problema é que começarão a fluir novos investimentos privados para a geração e para a ampliação das redes de distribuição.No caso da Eletropaulo, os investimentos para a rede na Grande São Paulo estão previstos em R$ 250 milhões neste ano. "Por causa da crise do racionamento, o nosso mercado encolheu muito e, hoje, temos capacidade maior do que utilizamos," explicou Travesso. "A rede estava bem dimensionada para a demanda normal de 2000. Por causa da queda de atividade em 2001, estamos estimando que o mercado da Eletropaulo só voltará à demanda de 2000 no ano de 2003.""Temos aí um ?lag? de três anos durante o qual, pelo menos na teoria, não seria necessário investir na rede. Claro que na prática não é bem assim. Por exemplo, alguns bairros de São Paulo continuam crescendo e teremos muita conexão nova a fazer."Até uma nova metalúrgica a Eletropaulo está conectando, coisa rara na Grande São Paulo, de onde as fábricas estão, lentamente, saindo, para dar lugar ao setor de serviços. Travesso descarta a possibilidade de a Eletropaulo faça, a curto prazo, investimentos em geração, uma possibilidade aberta pelo contrato de concessão.Os consultores privados do setor de energia acreditam que a controladora de Eletropaulo, a norte-americana AES, com sede em Arlington, Virgínia, não pretende investir dinheiro novo na América Latina, pelo menos no momento.A palavra que vem da Virgínia é que a Eletropaulo vai entrar em fase de consolidação do grande investimento já feito pela AES por ocasião da privatização, da ordem de US$ 3 bilhões. No ano passado, a Eletropaulo apresentou um lucro de R$ 567 milhões, abaixo do que deveriam render, pelos padrões internacionais, os R$ 12 bilhões de seus ativos.Para os investidores estrangeiros, as tarifas de energia estão baixas demais, em dólar, inferiores ao padrão internacional - e isto desaconselha investimentos novos. Para os consumidores nacionais, as contas de energia estão cada vez mais caras. A indústria, em especial, tem feito fortes reclamações contra a transferência do ônus do racionamento para os usuários, sob a forma de uma taxa mensal extra."A indústria, ao longo dos anos, se acostumou a preços baixos de energia," diz Travesso. O executivo diz que apresentou sua demissão à AES americana e que considera sua missão na companhia ?cumprida?. partir de hoje, a Eletropaulo tem um novo presidente - o americano Mark Fitzpatrick, de 55 anos.

Agencia Estado,

03 de maio de 2002 | 15h26

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