Presidente da Eurocâmaras critica política de juros

O presidente da Eurocâmaras e da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, Ben van Schaik, disse hoje em São Paulo que a política de juros altos está "matando a economia do País". De acordo com Van Schaik, os juros reais se encontram no patamar de 11,5% e, com o custo do dinheiro extremamente caro, quem tem recursos prefere aplicá-lo no sistema financeiro, onde a rentabilidade é melhor e maior. As críticas do executivo, também presidente da Mercedes Benz do Brasil, não se restringiram apenas ao custo do dinheiro, mas também à carga de impostos e ao estágio de abertura do mercado nacional. "Só vejo oportunidades para melhorar o crescimento por meio de juros mais baixos e carga tributária menos pesada", afirmou."A economia é como um pára-quedas. Só funciona se estiver aberto", disse ele durante uma exposição para cerca de 100 empresários europeus e brasileiros que participaram da abertura do 1º Fórum Europeu 2003, promovido pelas Eurocâmaras. "Mesmo que o empresário tenha dinheiro no bolso, não o tira para investir", acrescentou.O executivo lembrou que uma das preocupações do setor privado é o nível de impostos no País. "Em 96, a carga tributária era de 27% do PIB. Hoje é de 36%, taxa extremamente preocupante", alertou. Para Van Schaik, é importante que o governo comece a pensar em medidas para reduzir essa carga tributária, que também interfere na decisão de novos investimentos.Van Schaik disse acreditar que uma redução mais significativa na taxa de juros, de pelo menos três pontos porcentuais, não provocaria uma alta na inflação. "Não vejo efeitos ruins para a economia se a taxa de juros caísse mais. Acredito que esse espiral de juros mais baixos, carga tributária menor e abertura da economia geraria empregos e aumentaria os investimentos?, afirmou ele.

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