Presidente da Fiesp vê 'exagero' nos ganhos salariais

O presidente interino da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Benjamin Steinbruch, manifestou hoje preocupação com o avanço dos ganhos salariais, que neste ano registram índices de reajuste acima de 10% para várias categorias profissionais. "Como a inflação está em 4,5%, isso representa um ganho real de 5% que, para mim, é um certo exagero", afirmou. Ele disse ter também grande preocupação com o avanço das importações no País, pois seu atual ritmo indica um desequilíbrio das "leis de oferta e procura". Segundo Steinbruch, a alta velocidade de ingresso de mercadorias externas no Brasil é negativa para o País, já que ameaça a competitividade de empresas nacionais.

RICARDO LEOPOLDO, Agencia Estado

27 de setembro de 2010 | 18h05

Steinbruch demonstrou ainda insatisfação com os juros elevados e o atual patamar do câmbio, que para ele está sobrevalorizado. "Para construir uma siderúrgica com capacidade de produção de cinco milhões de toneladas de aço, gasta-se perto de US$ 6 bilhões no Brasil, enquanto na China baixa para US$ 3 bilhões", afirmou, citando a diferença de custos estruturais. Na China, os juros são mais baixos do que no Brasil e o câmbio é desvalorizado.

Ainda que tenha feito as críticas, Steinbruch declarou apoio ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que esteve presente em evento da Fiesp hoje. O dirigente qualificou o ministro como "desenvolvimentista", elogiou a sua postura de buscar a expansão das indústrias brasileiras e de aumentar a criação de empregos no País, e dedicou total apoio da Fiesp à sua atuação na Fazenda. "Eu trabalho há 40 anos e nunca vi o Brasil em condições econômicas tão boas como as atuais. Hoje, o País é do presente, e não só do futuro. É uma referência para o mundo. Temos condições de caminhar pelas nossas pernas, de crescer com as nossas pernas", comentou.

Steinbruch acrescentou que o Brasil tem autonomia em todas as áreas produtivas para continuar avançando, sem depender de organismos multilaterais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, bem como de nações centrais. "O Brasil tem condições de ter, por mais de 10 anos, crescimento contínuo e sustentado, tornando nossa nação uma potência", disse.

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