Presidente da Gazprom admite que acordo com China afeta Europa

Miller comemorou acordo de fornecimento de gás para o país asiático e disse europeus vão sentir impacto no preço

SÃO PETERSBURGO, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2014 | 02h06

O histórico acordo da Rússia para o fornecimento de gás natural para a China vai afetar os preços na Europa e tem um impacto sobre projetos de gás natural liquefeito internacionais, disse ontem o presidente executivo da estatal Gazprom.

China e Rússia assinaram na quarta-feira um acordo de US$ 400 bilhões para fornecimento de gás, assegurando ao maior consumidor de energia do mundo uma fonte mais limpa e abrindo um novo mercado para Moscou, que está sob risco de perder clientes europeus por conta da crise na Ucrânia.

"Literalmente, um dia atrás um evento realmente histórico ocorreu, um evento que marcou época. Nós, Rússia e Gazprom, descobrimos o mercado de gás da Ásia para nós mesmos", disse o presidente executivo da Gazprom, Alexei Miller, durante um fórum econômico em São Petersburgo.

"Pode-se supor que a assinatura do contrato vai afetar os preços de gás no mercado europeu", disse ele, sem dar mais detalhes.

Miller acrescentou que o acordo também terá impacto sobre projetos de GNL no leste da África, Austrália e oeste do Canadá.

A agência de classificação de risco Fitch Ratings afirmou na quinta-feira que o acordo "estabelece um novo marco para o que a China está disposta a pagar para o gás natural sobre os contratos de longo prazo".

Novo mercado. O acordo abre um enorme novo mercado para a Gazprom, que gera cerca de 80 por cento de sua receita com vendas à Europa, onde a demanda está estagnada e os lucros estão caindo.

"Esse é o contrato, que vai influenciar todo o mercado de gás", disse Miller.

Nenhum dos lados divulgou o preço do gás no contrato Rússia-China, mas fontes da indústria disseram que ficou entre US$ 350 e US$ 380 por mil metros cúbicos, similar ao que a maioria dos europeus paga sob contratos de longo prazo assinados nos últimos dois anos.

A Gazprom ainda tem de construir um gasoduto para transportar 38 bilhões de metros cúbicos de gás por ano para a China a partir de 2018.

Rússia e China chegaram a acordo sobre um pagamento antecipado de US$ 25 bilhões, disse ontem o presidente executivo da Gazprom Export, Alexander Medvedev. / REUTERS

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