Werther Santana/Estadão
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Presidente da Itapemirim: 'Ideia é atrair o passageiro do ônibus para fazer 1ª viagem de avião'

O grupo, um dos maiores do País em transporte rodoviário, se prepara para lançar sua empresa aérea em 2021 mesmo com a crise que afetou o setor durante a pandemia

Entrevista com

Sidnei Piva, presidente do grupo Itapemirim

Douglas Gavras , O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2020 | 10h00

Em recuperação judicial, o grupo Itapemirim, um dos maiores do País em transporte rodoviário, se prepara para lançar sua empresa aérea em 2021, apesar da crise enfrentada pelo setor desde o início da pandemia do novo coronavírus. O presidente do grupo, Sidnei Piva, avalia que as perspectivas são positivas para a Ita Transportes Aéreos. A ideia é que a companhia comece a operar em março, com dez aeronaves modelo A-320, e que alcance cem aviões em até cinco anos. "É inadmissível ter só três companhias aéreas de grande porte no Brasil", diz ele, ao Estadão.

A Itapemirim também pretende casar as operações da aérea com o braço de transporte rodoviário do grupo. Além disso, prevê participar de concessões de aeroportos e de linhas de metrô e de VLT. A seguir, trechos da entrevista.

Como a crise da covid-19 afetou os resultados do grupo?

É difícil fazer qualquer estimativa para este ano, mas estamos apostando em um crescimento muito significativo em novembro e dezembro e devemos recuperar parte das perdas com a covid-19. As ações de proteção que tomamos no começo da pandemia e a continuidade no serviço de transporte garantiram um baque menor que o esperado. A perda deve ficar em 30% em relação ao ano passado. E o ano que vem vai ser totalmente atípico para o grupo: estamos projetando um crescimento de quatro a cinco vezes, por conta da entrada da companhia aérea.

Apesar de ser uma operação separada da empresa aérea, a Itapemirim está em recuperação judicial. Como está esse processo?

Na empresa, nem chamamos mais de recuperação judicial. Para nós, é um plano de reestruturação. Estamos próximos da liquidação da recuperação, prevista para meados do ano que vem. O controle de gestão que fizemos foi tratar a recuperação judicial como um endividamento comum, os pagamentos foram cumpridos rigorosamente e passamos para um plano de crescimento da empresa. Reunimos investimentos e vendemos ativos, a recuperação judicial passou a ser um compromisso, que temos cumprido, mas que foi equacionado dentro das contas da empresa. Estamos saindo da pandemia mais fortes do que entramos.

Muito se fala que a realidade do setor aéreo no pós-pandemia é incerta. Não é um momento arriscado para começar a voar?

Não, a pandemia assustou no início, mas as medidas que tomamos foram muito certeiras e elas nos prepararam. A gente tem um diferencial em relação às outras companhias: já vamos entrar com 2 mil agências de vendas de passagens. A ideia é atrair também um tipo de passageiro que já ande de ônibus com a gente e possa fazer conosco a sua primeira viagem de avião, sem para isso praticar um preço que vai canibalizar as outras companhias. É inadmissível ter apenas três companhias de grande porte em um país como o Brasil, e eu entendo que ter mais companhias aéreas é algo que só melhora a competição. Mas não poderíamos entrar com uma ou duas aeronaves para saber se daria certo. Vamos começar com dez aeronaves do porte do A320, da Airbus, que transportam até 170 pessoas, mas vão ter capacidade reduzida adequada à realidade de pós-covid-19.  

A recuperação judicial pode atrapalhar a empresa de aviação?

Não atrapalha em nada. A companhia aérea é desvinculada da recuperação judicial e vem contribuir para adiantar o processo de recuperação. A expectativa é que a companhia aérea esteja operando em março do ano que vem. Todos os diretores têm, no mínimo, 15 anos de experiência no setor e a empresa abriu um processo seletivo para contratar 600 funcionários, incluindo pilotos, copilotos e comissários. O nosso programa de contratação se encerrou há duas semanas e tivemos 12 mil currículos aprovados.

Para quais destinos a empresa vai voar?

Nesta primeira fase, a ideia é atender aos grandes centros e vão ser 80 voos diários. E as nossas prioridades de destino são Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Nosso voo inaugural, que ainda não vai ser aberto ao público, vai ser para Vitória (ES), por conta da origem da empresa (a cidade capixaba de Cachoeiro de Itapemirim).

A recuperação judicial atrasou os planos para a empresa aérea?

Esse projeto existe desde meados de 2017, quando a canadense Bombardier nos procurou. Estavam buscando uma grife para entrar no mercado brasileiro, eles nos encontraram e começamos a amadurecer a ideia. Não foi possível, pelos problemas da própria recuperação judicial, que precisava ser aprovada. Mas uma equipe nossa foi desenvolvendo ideias mesmo assim, e tivemos a oportunidade de falar do projeto para fundos de investimento no exterior. Acabamos entrando no ramo de táxi aéreo primeiro e o projeto foi ganhando dimensão. Já no primeiro ano, a aérea pretende atender a 80% do território nacional e vamos ligar isso ao transporte rodoviário. Hoje, são 2.700 cidades em que a Itapemirim está por via terrestre e vamos dar condições para o passageiro se locomover pelo Brasil com facilidade.

O passageiro poderá pegar um avião até uma cidade maior e complementar a viagem para uma cidade do interior que a Itapemirim atende com ônibus? 

Sim. Tudo isso via conexão em tempo real. Ele desce no aeroporto já com a outra passagem comprada, no horário certo e com a bagagem despachada. Isso vai poder ser feito tanto para cidades do interior quanto interligando outros Estados. A ideia é dar tranquilidade para o passageiro, facilitar a mobilidade e poder monitorar a viagem até o fim.

A ideia é casar as operações da empresa?

A nossa proposta é ser uma companhia de mobilidade, via um projeto ferroviário (o grupo tem fabricantes de trens e de componentes e quer disputar concessões de linhas de metrôs e VLT), rodoviário e aéreo. Da concessão de aeroportos, as companhias aéreas não podem participar, mas pretendemos entrar com parceiros. Há muitos deles, nacionais e internacionais, que já operam terminais e que buscam um parceiro com a experiência que a gente tem. Vamos apresentar, a partir de março, uma unificação de modais, em que o passageiro terá a opção de escolher o destino, sem ter de optar por cinco ou seis companhias para chegar lá.

Os planos incluem rotas internacionais?

Primeiro, vamos fazer a lição de casa no mercado nacional. Não pretendemos, de início, fazer parcerias com outras empresas, mas para 2022, vamos começar a olhar para fora, principalmente pensando em destinos na Europa e nos Estados Unidos. É difícil não pensar em Miami e Nova York – que viraram praticamente quintal dos brasileiros – e também estamos de olho em Portugal, Espanha, França e Inglaterra. A Itapemirim com certeza estará com quatro destinos internacionais até o fim de 2022.

A empresa buscou financiamentos em fundos internacionais e anunciou US$ 500 milhões de fundos árabes. Foi confirmado?

O financiamento foi confirmado, a partir do aporte de recursos de um fundo de Dubai. Nós temos a assinatura, a única etapa que está faltando é conseguir todas as certificações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para podermos voar. Está tudo certo com os aviões, agora só faltam os detalhes mais técnicos, de documentação. Esse dinheiro chega antes do primeiro voo. Além disso, temos recursos próprios e estamos oferecendo para pequenos e médios investidores nacionais a possibilidade de investir.

E há planos de abrir capital?

Sim. A Itapemirim deve abrir capital a partir de 2024. Já está no nosso plano de negócios. Quem resolver investir na empresa hoje já terá isso no horizonte para os próximos anos. 

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