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Presidente da Netflix pede internet igualitária

Após pagar para aumentar velocidade de seu serviço, executivo criticou a prática

ROGER YU , USA TODAY , O Estado de S.Paulo

22 de março de 2014 | 02h07

O presidente da Netflix, Reed Hastings, insistiu para que órgãos reguladores e consumidores lutem por regras mais consistentes com relação à neutralidade da internet. Ele disse isso ao confirmar o pagamento de uma quantia à operadora de TV a cabo Comcast, para que seus serviços sejam oferecidos com mais rapidez nos Estados Unidos. Hastings defendeu a proibição desse tipo de acordo.

Os comentários feitos por Hastings, postados em um blog da companhia, são os mais extensos sobre o assunto desde o comentado acordo, firmado em fevereiro. Por meio dele, a Netflix pode conectar novos servidores diretamente à rede da Comcast, em vez de passar por terceiros.

Visto como uma estratégia baseada no princípio do "pagar para ter" que pode se propagar pelo setor, o tal acordo enfureceu grupos de defesa do consumidor e outros proponentes da neutralidade da internet, ou internet aberta, que proíbe as provedoras de serviço de Internet de discriminar qualquer conteúdo legal oferecendo serviços de qualidade inferior. Hastings não se manifestou nesse debate quando assinou o acordo, mas seus mais recentes comentários parecem apoiar os argumentos em favor da neutralidade.

"Para assegurar que a internet permaneça a mais importante plataforma da humanidade para o progresso, a neutralidade da rede precisa ser defendida e reforçada", escreveu o executivo. "Os provedores de rede têm de oferecer acesso adequado à sua rede sem cobrar." E continuou: "No curto prazo, a Netflix pagará com relutância aos grandes provedores de modo a garantir uma alta qualidade do serviço para os usuários, mas continuaremos lutando pela internet que o mundo necessita e merece."

Outro lado. A Comcast discordou de Hastings. Em comunicado, a maior provedora dos EUA declarou na quinta-feira que "apoia as regras para a internet aberta da FCC (órgão regulador das telecomunicações no país), porque elas estabelecem o equilíbrio apropriado entre a proteção do consumidor e o gerenciamento de rede justo para os provedores." Com o video-streaming em crescimento, a FCC estabeleceu regras para a internet aberta em 2010. Mas após anos de recuos e disputas com os provedores, o órgão teve de abandonar a questão depois que um tribunal as rejeitou.

O órgão regulador indicou que elaborará novas disposições sobre a neutralidade da internet ou manterá poderes para fazer valer o princípio de analisar caso por caso.

A Netflix é a maior fonte de tráfego de banda larga de internet, ocupando quase um terço do tráfego de dados na América do Norte, de acordo com a empresa de tecnologia Sandvine.

Reed Hastings disse que as velhas regras eram "importantes, mas insuficientes", porque não incluíam cláusulas envolvendo o problema destes acordos obscuros firmados entre provedoras de rede, de conteúdo e distribuidores.

As novas regras deverão especificamente impedir que os fornecedores de rede cobrem dos provedores de conteúdo ou suas distribuidoras um pedágio para se conectarem diretamente às suas redes, disse Hastings.

Para a Comcast, as antigas regras sobre neutralidade da internet "jamais foram elaboradas para lidar com a questão desses acordos". "Provedoras como a Netflix sempre pagaram para sua interconexão com a internet e sempre desfrutaram de amplas opções para assegurar que seus clientes recebam um produto de qualidade a um preço justo", declarou a companhia.

Na sua postagem, Hastings sugeriu que os provedores são responsáveis pela falta de investimento em equipamentos e capacidade que permitiriam um streaming mais fácil dos seus filmes e programas de TV. "No caso de outros grandes provedores de rede, devido à falta de uma interconectividade suficiente, o desempenho da Netflix ficou limitado", afirmou.

Os provedores de internet dizem que a Netflix e outras provedoras de conteúdo conhecidas também devem pagar pela modernização do equipamento para aliviar o tráfego.

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