Presidente da Petrobras deverá explicar rombo no fundo Petros

O presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, deverá enfrentar dificuldades na audiência pública para a qual foi convocado pela CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) para o dia 22, previu hoje o líder do PT no Senado, Delcício Amaral (MS). Dutra foi convocado pela comissão para explicar aos senadores de que forma o fundo de pensão da Petrobras (o Petrus) passou a ter um déficit de R$ 8,3 bilhões. A informação sobre o déficit foi divulgada em fevereiro pela Petrobras como fato relevante. Delcídio Amaral lembrou que, na tarde de ontem, o debate desse tema tomou conta da sessão plenária do Senado e mostrou que senadores suspeitam de que esse valor pode ter sido forjado por alterações na tabela de longevidade dos segurados do fundo Petrus. Ele disse que essa questão é de extrema relevância não apenas por se tratar de uma soma muito grande destinada a uma corporação, mas também porque envolve os interesses dos acionistas minoritários da Petrobras. Bomba-relógioO líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), ao referir-se ao caso da Petrobras, afirmou que o quadro que se vislumbra é o de "uma verdadeira bomba-relógio nas finanças públicas". "Trata-se de um rombo imenso e desequilíbrios de tal ordem que, se não for desarmada (a bomba), repercutirá inevitavelmente nos cofres do Tesouro", advertiu Virgílio.O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) acha que a questão do fundo Petros deveria ser investigada por uma CPI. "A situação é grave, e ainda assim o Eduardo Dutra deu R$ 3,6 milhões para desfilar de modo estridente numa escola de samba no carnaval do Rio deste ano", afirmou Magalhães. Já o senador Tasso Jereissatti (PSDB-CE) observou que, diante da situação, fica muito difícil explicar à população do seu Estado por que as obras do metrô de Fortaleza e do Porto de Pecem estão paralisadas pela falta de R$ 110 milhões.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.