Sérgio Moraes/Reuters
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Covid-19

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Presidente da Petrobrás diz que revisão dos ativos no 1º trimestre foi um 'banho de sangue'

Castello Branco disse, em encontro virtual com o Banco Safra, que a maior preocupação da empresa no momento é proteger seu caixa

Denise Luna e Wagner Gomes, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2020 | 15h09

RIO E SÃO PAULO - A reavaliação dos ativos da Petrobrás no primeiro trimestre deste ano foi considerado "um banho de sangue" pelo presidente da empresa, Roberto Castello Branco, pela amplitude do reconhecimento de perdas que a estatal decidiu fazer diante do impacto no novo preço do petróleo em projetos da companhia.

Ao todo foram reavaliados R$ 65,3 bilhões, sendo R$ 57,6 bilhões em campos produtores em águas rasas e profundas, que determinaram o maior prejuízo já registrado na história da Petrobrás para um trimestre: R$ 48,5 bilhões.       

Segundo Castello Branco, a revisão de ativos, conhecida no jargão financeiro como impairment, não foi surpresa nem para ele nem para o mercado, já que muitos projetos foram contratos por preços bem maiores no assado do que os praticados atualmente.

"A revisão dos nossos ativos foi um banho de sangue, mas foi necessária", disse hoje Castello Branco durante videoconferência promovida pelo Banco Safra

A revisão levou em conta preços do petróleo a US$ 50 o barril, diante da cotação em torno de US$ 70 usados para avaliar esses ativos no ano passado. O preço do petróleo mudou de patamar no início deste ano, com o impacto da retração da demanda por conta da pandemia do novo coronavírus (covid-19), chegando a ser cotado a menos de US$ 20 em meados de abril. Nos últimos dias, porém, a ligeira melhora de algumas economias mundiais, principalmente Estados e China, fizeram a commodity retomar parte do preço, operando acima dos US$ 30 o barril.

O executivo observou que mesmo com a melhora esta semana, ainda é cedo para dizer se a alta veio para ficar. "Vemos a alta do petróleo de forma cautelosa, pode haver uma 2ª onda (covid-19), a gente não pode eliminar do painel de risco essa possibilidade", afirmou.

Castello Branco disse no encontro virtual com o banco, que a maior preocupação da empresa no momento é proteger seu caixa, e que para isso tem buscado a redução de custos para fazer frente às mudanças que o setor de petróleo vem enfrentando. Entre as estratégias está a utilização cada vez mais de tecnologia para diminuir os custos de produção e citou o projeto EXP1000, que visa aumentar a possibilidade de achar óleo, com 100% de sucesso em cada perfuração, e o Prod1000, que reduz de 3 mil dias (8 anos) entre a descoberta e o primeiro óleo, para 1 mil dias.

 "São projetos revolucionários e nos colocaram em posição competitiva muito forte", afirmou o executivo. 

Segundo ele, empresas como a fabricante de carros elétricos como a Tesla serão também concorrentes da Petrobras no futuro, e é necessário que a Petrobrás reduza o máximo possível os seus custos para enfrentar a nova realidade de redução do uso dos combustíveis fósseis pela energia renovável.

Ele afirmou ainda, que um dos principais problemas da empresa é o alto endividamento, já reduzido em relação a anos anteriores, mas que se torna desafiadora diante da crise trazida pela pandemia.

"Nós pretendemos continuar a manter, apesar de todas as dificuldades uma colcha de liquidez e evitar a queima de caixa, para chegar (ao final do ano) com dívida de US$ 87 bilhões. Manter a dívida constante vai ser uma vitória", disse o executivo.

A Petrobrás fechou o primeiro trimestre com dívida de US$ 89 bilhões e pretende chegar ao final do ano com endividamento de US$ 87 bilhões, conforme já anunciado pela companhia.

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