Presidente da Petrobras insinua necessidade de reajuste de derivados

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, afirmou que os preços internacionais de petróleo deverão continuar altos por muito tempo, mas foi reticente sobre a necessidade de reajuste dos derivados no mercado interno, pelo menos antes das eleições. Em entrevista ao "Espaço Aberto", da Globo News, ele admitiu que o produto tem sido alvo de grande especulação, porém disse que a tendência é de os preços permanecerem em um patamar elevado. "Provavelmente nós vamos ter, por um longo tempo, preços altos com grande volatilidade", observou.Gabrielli explicou que a demanda e o consumo mundiais estão equilibrados na faixa de 85 milhões de barris por dia e não há nenhum projeto de aumento significativo de produção nos próximos três anos. Nem tampouco previsão de queda do consumo. O crescimento dos países até 2011 deverá se sustentar na média de 4,2%, disse. "Não há por que esperar uma grande variação de preços, para cima ou para baixo", analisou. O presidente da estatal disse que a instabilidade geopolítica nas principais regiões produtoras, aliada ao excesso de liquidez financeira no mercado internacional geram a instabilidade dos preços.Ao ser perguntado se haverá reajuste no mercado interno, pelo fato de o preço do petróleo se manter alto por um longo tempo, o presidente da Petrobras foi evasivo. "Nós temos no Brasil uma situação especial de mercado que tem de ser analisada", despistou. Ele lembrou que existem muitas diferenças entre o mercado brasileiro e o internacional, como a alternativa do álcool e o fato de a Petrobras produzir quase a totalidade dos derivados de petróleo consumidos no Brasil. Além disso, lembrou, a estrutura tributária brasileira leva a que o preço final ao consumidor seja até o triplo do que é cobrado na refinaria. "Isso faz com que o preço final no Brasil, em preços equivalentes de gasolina, seja até maior do que o do mercado internacional.""Eu não estou dizendo que não haverá (reajuste). Como gestor desta situação, nós temos que analisar os impactos de uma decisão nossa sobre o conjunto das atividades", ponderou. Gabrielli, no entanto, indicou que o reajuste é uma questão de tempo: "Não podemos, por outro lado, descolar o mercado brasileiro do mercado internacional, pois o mercado aberto é incompatível com a situação de descolamento permanente do preço doméstico do mercado internacional."

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