Sergio Moraes/Reuters - 3/1/2019
Sergio Moraes/Reuters - 3/1/2019

Presidente da Petrobrás nega interferência e diz que estatal é 'livre e tem vida própria'

Roberto Castello Branco disse que a decisão de suspender o reajuste do diesel teria sido tomada pela própria companhia; segundo o executivo, o presidente da República teria apenas 'alertado para os riscos'

Amanda Pupo e Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2019 | 20h25

BRASÍLIA- O presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, afirmou nesta segunda-feira, 15, que a Petrobrás é "livre" e "tem vida própria". Ele negou intervencionismo do presidente da República, Jair Bolsonaro, na decisão que recuou no reajuste do preço do óleo diesel. "A decisão foi tomada pela Petrobrás, ninguém ordenou a Petrobrás que reajustasse. O presidente alertou para os riscos", disse Castello Branco após sair de reunião interministerial que ocorreu no Palácio do Planalto.

Segundo ele, a empresa irá "decidir o quanto vai ser reajustado ou não", frisando que essa é uma decisão empresarial, "diferente do governo, que é de políticas públicas".

Na última sexta-feira, 12, o presidente Jair Bolsonaro admitiu ter ligado ao presidente da estatal para falar do reajuste de 5,7% que seria feito no preço do óleo diesel e que acabou não ocorrendo. Depois do episódio, a Petrobrás perdeu R$ 32 bilhões em valor de mercado.

O presidente da petrolífera se recusou a responder se a empresa avalia estender o tempo de reajuste do combustível às refinarias. Atualmente, o valor do diesel é modificado a cada 15 dias, no mínimo, embora caminhoneiros pleiteiem um prazo mais alongado. A periodicidade foi decidida em março e comunicada ao mercado pela companhia. Antes, os prazos de reajuste do preço eram menores. "Essa é uma decisão operacional", afirmou Castello Branco.

O executivo negou que o assunto de preços tenha sido discutido na reunião no Planalto. Quando perguntado novamente, afirmou que "não tem nenhuma decisão" sobre o valor do diesel. "Uma coisa é a Petrobras, outra é o governo. O governo quer abordar a questão dos caminhoneiros", completou o presidente da estatal.

Quando perguntado se o reajuste vai voltar a ser reativado, respondeu que não fez "nenhuma afirmação nesse sentido". "Seja paciente que você terá a resposta. Medidas vão ser tomadas pelo governo. O que a Petrobrás vai fazer...nós temos tempo", disse quando perguntado sobre o que se pode esperar para os próximos dias. Castello Branco disse ainda que o cartão caminhoneiro da BR Distribuidora deverá ser lançado entre o fim de junho e inicio de julho.

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