Presidente da Pirelli é condenado na Itália

Marco Tronchetti Provera foi considerado culpado por receber dados roubados da Kroll no Brasil, na briga pelo controle da Brasil Telecom

REUTERS / MILÃO, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2013 | 02h44

O presidente do conselho de administração da fabricante italiana de pneus Pirelli, Marco Tronchetti Provera, foi condenado ontem pela Justiça da Itália a uma pena de 20 meses de prisão, com suspensão condicional, por receber dados roubados quando era presidente da Telecom Italia.

Provera, um dos empresários mais importantes do país, também foi condenado a pagar 900 mil (US$ 1,2 milhão) à Telecom Italia, empresa que comandou de 2001 a 2006.

O empresário foi declarado culpado por receber, em 2004, informações telefônicas que teriam sido roubadas da empresa de segurança Kroll no Brasil. A alegação era que a agência espionava a Telecom Italia para a operadora de telecomunicações brasileira Brasil Telecom e o Grupo Opportunity. Opportunity e Telecom Italia eram sócios na Brasil Telecom, e travaram uma longa disputa pelo controle da operadora, que depois seria comprada pela Oi.

O Opportunity e a Kroll sempre negaram as acusações de espionagem. Diziam que tudo não passava de uma farsa armada pela própria Telecom Italia.

Escândalo. O caso, que remete à época em que a Pirelli tinha fatia de controle nas empresas de telecomunicações, faz parte de um escândalo de espionagem ainda mais amplo, no qual ex-empregados da Telecom Italia foram condenados por espionar figuras públicas italianas usando informações telefônicas roubadas.

Um advogado de Provera, que nega que seu cliente tenha cometido qualquer infração, disse que não havia lógica no veredicto.

Em comunicado, Provera disse que nunca soube que os dados tinham sido obtidos ilegalmente e que os enviou à polícia brasileira assim que os recebeu.

"Respeito a sentença, mas não posso deixar de esclarecer que fui condenado por ter denunciado quem estava nos espionando. Entrarei com recurso, convencido de que a verdade emergirá", disse o executivo. "Hoje, não fui somente condenado, também estão pedindo que ressarça uma companhia que protegi, a Telecom Itália, junto aos que se demonstraram os mandantes das ações contra nós. Estou seguro de que a verdade dos fatos será reconhecida também pela Justiça. Sigo em frente com paciência e determinação."

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