ALEX SILVA|ESTADAO
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Presidente da seguradora iniciou na empresa como office-boy

Fábio Luchetti começou na Porto Seguro aos 18 anos – e nunca trabalhou em outra companhia

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2016 | 05h00

Presidente da Porto Seguro desde que o acionista Jayme Garfinkel deixou o cargo, Fábio Luchetti, de 50 anos, é hoje caso raro no atual mercado brasileiro: é um exemplo de executivo que passou toda a vida em uma só companhia.

O paulistano começou a trabalhar na companhia com 18 anos, após preencher uma ficha para o cargo office-boy. No entanto, ele já circulava pelos corredores da Porto Seguro quando ainda era adolescente.

Depois de passar um tempo etiquetando preços de remédios usando as clássicas maquininhas de remarcação de preços da época da hiperinflação, Fábio, aos 16 anos, começou a ajudar um tio-avô, que era corretor de seguros e havia auxiliado a família durante um período de dificuldades, em que o pai de Fábio sofrera um acidente. “Em um dia que fui à Porto Seguro, pedi para preencher a ficha. E acabei contratado.”

Em mais de 30 anos de empresa – ele ingressou em 1984 –, Fábio viu a Porto Seguro se “virar” para evoluir em meio aos mais diferentes estágios da economia brasileira. Nos anos 1980, quando muita gente desistia do seguro por causa do alto preço, a empresa abraçou um “jeitinho” tipicamente brasileiro: o cheque pré-datado.

Embora informal, o parcelamento “na confiança” era necessário. Primeiro porque, se os clientes fossem obrigados a pagar à vista, o mercado iria encolher; segundo, porque quase ninguém tinha cartão de crédito no Brasil na época. Resultado: “A Porto Seguro tinha um andar inteiro dedicado a processar esses cheques – e a cobrar os que eram devolvidos.”

Marketing. Ao longo dos últimos 32 anos, Fábio passou por diversos cargos na Porto Seguro, da área de finanças à de marketing. Nesta última, aprendeu que muitas vezes o “pulo do gato” pode estar em soluções simples.

No caso da Porto Seguro, um desses casos de sucesso foi a decisão da empresa de importar, no fim dos anos 1980, lanternas de freio para o vidro traseiro dos veículos – um item de segurança que, na época, ainda não era obrigatório pela legislação brasileira.

De repente, as lanternas caíram no gosto do consumidor e viraram um acessório que dava um certo “status” ao carro. “As pessoas renovavam o seguro só para ganhar a lanterna”, lembra Fábio. Para a empresa, foi um caso de ganho triplo: o produto era barato, trazia clientes e, ainda por cima, reduzia as colisões traseiras.

A preocupação com a imagem foi outra lição deixada por Garfinkel. É por isso que a empresa tem quase uma obsessão em representar sua marca sempre que possível – seja na porta dos guinchos, na fachada das oficinas ou até em espaços culturais próprios.

“A experiência de marca é vital. É por isso que, durante muito tempo, acumulei as funções de presidente e também a área de marketing. A gente cresce no boca a boca”, diz Fábio.

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