ludovic Marin/AFP
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Conselho Europeu considera “difícil de imaginar” acordo com Mercosul com queimadas na Amazônia

Donald Tusk afirmou que governo brasileiro 'permite a destruição'; Presidente francês Emmanuel Macron propõe impedir o acordo mas chancelar alemã Angela Merkel rebate e diz que boicote não é solução

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2019 | 08h12

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou que é "difícil imaginar" um possível acordo de livre comércio entre o bloco europeu e o Mercosul após a postura do governo brasileiro frente aos incêndios florestais na Amazônia. A declaração foi dada durante a abertura do encontro do G-7 neste sábado, 24, na França.

A urgência de ações contra as queimadas na Amazônia é uma das principais pautas do encontro, que também deve discutir a guerra comercial entre China e Estados Unidos. "É claro que apoiamos o acordo entre a UE e o Mercosul (...), mas é difícil imaginar um processo de ratificação enquanto o governo brasileiro permitir a destruição", afirmou Tusk.

A retaliação comercial, porém, não é consenso entre os países europeus. A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou por um e-mail que não considera que impedir o acordo entre União Europeia e Mercosul seja a solução para resolver a crise na Amazônia. "É, do nosso ponto de vista, uma resposta não apropriada ao que está acontecendo atualmente no Brasil", defendeu.

Segundo Merkel, o acordo entre UE e Mercosul estabelece um capítulo com regras rígidas sobre sustentabilidade e que ambas as partes se comprometeram a cumprir o acordo de Paris.

Em entrevista ao Estadão, o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles acusou a mídia internacional de ter um 'entendimento incompleto ou enviesado' sobre as ações do governo brasileiro frente à crise.

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Essa história de que pertence à humanidade é uma bobagem. Nós temos soberania sobre a Amazônia. Somos nós que temos de escolher um modelo, que tem de ser viável economicamente, de proteção da nossa floresta. Somos nós que temos de escolher e somos nós que temos de implementar.
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Ricardo Salles, ministro do meio ambiente

Repercussão internacional dos incêndios na Amazônia

Os possíveis desdobramentos da crise política internacional desencadeada pelas queimadas na Amazônia vêm preocupando o presidente Jair Bolsonaro, que mudou o tom após de líderes em todo o mundo questionarem a ação do governo brasileiro. O presidente francês Emmanuel Macron disse no Twitter, na última quinta-feira, 22, que "nossa casa está queimando". O texto, que acompanha uma foto da Amazônia em Chamas, convocou os membros do G-7 para discutir "essa emergência".

Macron retomou o assunto pouco antes da cúpula em Biarritz e pediu "a mobilização de todas as potências" . "Devemos responder ao apelo da floresta (...) da Amazônia, nosso bem comum (...) então vão agir", declarou o chefe de Estado.

Durante conversa por telefone na última sexta-feira, 23, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que espera contar com o apoio de Donald Trump para que a questão da Amazônia não seja levantada durante o encontro. Trump chegou ao aeroporto de Bordeaux, no sudoeste da França, por volta das 12h17 no horário local (07h17 horário de Brasília). De lá, ele pegará outro voo para chegar a Biarritz, que sedia o encontro do G-7.

Em pronunciamento em cadeia de rádio e televisão nesta sexta-feira, 23, Bolsonaro afirmou que as queimadas que ocorrem na Amazônia não podem ser pretexto para sanções internacionais. "Incêndios florestais existem em todo o mundo. E isso não pode ser pretexto para sanções internacionais. O Brasil continuará sendo amigo de todos, e responsável pela proteção da sua floresta amazônica", defendeu. O pronunciamento foi marcado por panelaços em várias cidades do país, como São Paulo, Rio de Janeiro e Recife.

Também foram convocadas manifestações em vários países do mundo, como Polônia. Também ocorreram protestos a favor da Amazônia nos vizinhos latinoamericanos Peru, México Equador e Chile.

No final da tarde de sexta, 23, Bolsonaro assinou um decreto permitindo a atuação do Exército para combater os incêndios florestais que ocorrem no Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins./ com AFP e AP

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