Presidente da Varig nega manobra para ganhar tempo

O presidente da Varig, Marcelo Bottini, negou que o adiamento da assembléia de credores da companhia seja para "ganhar tempo". Suspeitas rondam em torno de uma possibilidade de se costurar um acordo, para garantir uma solução para a crise na empresa aérea. O encontro seria realizado nesta segunda-feira, mas passou para a próxima terça, sob alegação de que a sede da Fundação Ruben Berta, no Rio de Janeiro, não teria capacidade para abrigar os 400 credenciados. Entretanto, fontes que acompanham as reuniões entre os credores informaram que a questão da segurança foi usada como desculpa para se adiar por mais um dia o encontro. A real intenção seria elaborar uma proposta que pudesse unificar as ofertas feitas pela Trabalhadores do Grupo Varig (TGV) e por Alvarez e Marsal, que prevê a cisão da Varig em duas companhias: uma internacional, com os passivos, e outra doméstica, a ser leiloada em 60 dias. A TGV já havia avisado que não apoiaria, durante a reunião, a cisão da companhia. A posição, segundo o presidente da Associação de Pilotos da Varig (Apivar), Rodrigo Marocco, foi tomada porque "esse modelo não é viável em nenhum lugar do mundo. Nenhuma empresa se sustenta apenas com linhas de longa distância".Mesmo com a sinalização negativa da TGV, como essa seria a segunda convocação para a reunião, as regras permitiam que a proposta fosse aprovada sem a maioria das três classes de credores. Seria preciso apenas o aval de mais duas classes e, no mínimo, 30% da terceira classe de credores. Mas, a oferta ainda teria de ser sancionada pelo juiz responsável pelo processo de recuperação judicial. "Questão de horas não afeta a situação da Varig", avaliou Bottini. Segundo ele, o local estava superlotado e ainda havia credores do lado de fora. Esses credores poderiam mais tarde contestar a decisão aprovada na assembléia.Empresa pode fechar na quartaA presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários Selma Balbino alertou na manhã de hoje que, se os credores da Varig não chegarem a um consenso e aprovarem uma proposta de recuperação da companhia na assembléia de amanhã, a empresa aérea estará fechada na quarta-feira. Segundo ela, a Varig não terá fôlego financeiro para continuar operando.Selma Balbino não acredita na unificação das propostas da TGV e da Alvarez & Marsal, que prevê a cisão da Varig em duas empresas - uma internacional com os passivos e a outra doméstica que seria leiloada em 60 dias. "Não tem possibilidade. A proposta da TGV só serve se eles mandarem qual credor que vai colocar dinheiro e refinanciar para essas pessoas", disse Selma Balbino.

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