José Cruz/Agência Brasil
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Campos Neto deixa claro que, se preciso, BC fará novas intervenções no câmbio

Campos Neto reforçou que a autoridade monetária tem seguido o 'princípio da separação' entre a política monetária e a política cambial

Eduardo Rodrigues e Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2019 | 19h21
Atualizado 27 de novembro de 2019 | 11h48

Em um dia marcado por forte pressão de alta do dólar ante o real, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, aproveitou um evento em Brasília para passar um recado: se for preciso, a autarquia voltará a intervir nos negócios nesta quarta-feira.

Campos Neto afirmou, durante seminário promovido pelo jornal “Correio Braziliense”, que as intervenções cambiais do BC ocorrem para “atenuar oscilações fora do normal”.

Hoje, especificamente, o BC promoveu dois leilões de venda à vista de dólares que não estavam programados – um no fim da manhã e outro à tarde. Essas operações tinham como objetivo acalmar as cotações da moeda americana, que se aproximaram dos R$ 4,28 no mercado à vista.

A disparada ocorreu na esteira de declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, na noite de ontem, nos Estados Unidos. Guedes afirmou não estar preocupado com o dólar acima de R$ 4,20 e que “é bom se acostumar com o câmbio mais alto e juro mais baixo por um bom tempo”. O resultado foi que, apesar das intervenções do BC, o dólar à vista fechou em alta de 0,61%, aos R$ 4,2400.

“Hoje tivemos um câmbio bastante atípico”, avaliou Campos Neto durante o evento em Brasília. “Entendemos que hoje o câmbio não estava funcional”, acrescentou. O presidente do BC, no entanto, não fez nenhuma menção aos comentários de Guedes nos EUA, que provocaram o estresse no mercado.

Ao mesmo tempo, Campos Neto pontuou que, se o BC entender que nesta quarta-feira “o câmbio está disfuncional, voltaremos a intervir”. Na prática, a sinalização foi de que a autoridade monetária pode voltar a fazer leilões extras de venda de moeda para reduzir a volatilidade.

Após o encerramento do evento, Campos Neto deixou o prédio do “Correio Braziliense” sem responder a perguntas da imprensa. Questionado sobre o câmbio, ele se limitou a dizer: “Já falei o que tinha que falar”.

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