Wolfgang Rattay/Reuters - 30/12/2021
Fachada do Banco Central Europeu, em Frankfurt, na Alemanha; BCE estima mais altas de juros para 2022 Wolfgang Rattay/Reuters - 30/12/2021

Presidente do Banco Central Europeu vê ‘chance forte’ de alta das taxas de juros ainda em 2022

Christine Lagarde diz que menor crescimento da China terá efeito em outros países

Gabriel Bueno da Costa, O Estado de S. Paulo

23 de abril de 2022 | 05h00

Presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde afirmou nesta sexta-feira, 22, haver uma “chance forte” de alta de juros na zona do euro ainda neste ano. Segundo ela, o programa de compra de bônus (APP, na sigla em inglês) do BCE pode ser encerrado no início do terceiro trimestre, o que abriria espaço para a elevação das taxas. Ao mesmo tempo, a autoridade ressaltou que a abordagem será gradual e dependerá dos indicadores.

Lagarde falou em entrevista à emissora americana CNBC, ao lado da secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen. Segundo a presidente do BCE, a instituição não vê nem prevê estagflação, mas “há muita incerteza agora”.

Em suas declarações, Lagarde citou o “choque” causado pela guerra na Ucrânia na zona do euro, nos preços das commodities, no comércio e na confiança.

Ela também falou sobre o quadro na China. Para a presidente do BCE, há riscos de baixa vindos do país, com sua política de covid-19 zero. Lagarde ainda mencionou fragilidades no mercado imobiliário chinês. E ressaltou revisões recentes nas projeções de crescimento para a potência asiática, que geram efeitos nas demais nações.

Reino Unido

O presidente do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), Andrew Bailey, afirmou ontem que a inflação no Reino Unido subirá mais por causa dos preços de energia. Segundo ele, porém, é difícil prever o quanto neste momento. Durante evento da semana de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), Bailey também disse que o BoE está “em trajetória de aperto”, após três elevações nos juros.

Bailey disse acreditar que será possível conduzir um “pouso suave” da economia do Reino Unido, contendo a inflação sem provocar contração econômica, mas admitiu que “é um caminho estreito”

 

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FMI rebaixa previsões de crescimento da Europa para 3% em 2022

Impacto da guerra na Ucrânia e da pandemia colocam a expectativa de crescimento na região cerca de 1 ponto percentual a menos do que o esperado em janeiro deste ano

Augusto Decker, O Estado de S. Paulo

23 de abril de 2022 | 05h00

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu para 3% a estimativa de crescimento do PIB das economias europeias avançadas em 2022 – 1 ponto porcentual a menos do que nas projeções de janeiro –, e para 3,2% a do avanço do PIB das economias europeias emergentes (excluindo Belarus, Rússia, Turquia e Ucrânia), 1,5 ponto porcentual a menos na mesma comparação. As revisões aconteceram após o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, que contribuiu para os altos preços de itens como alimentos e energia.

Já a estimativa de inflação nas economias europeias avançadas e emergentes subiu para 5,5% e 9,1%, respectivamente.

Uma guerra prolongada aumentaria o número de refugiados indo para a Europa, os problemas de logística, pressionaria a inflação e aprofundaria as perdas na produção”, afirma a entidade em nota. A recomendação é para que países lidem com essas questões usando principalmente a política fiscal. “Estabilizadores fiscais automáticos devem poder operar livremente, enquanto gastos adicionais são alocados para apoio humanitário para refugiados e para transferências a domicílios de baixa renda e a empresas vulneráveis, porém viáveis”, afirmou.

As avaliações foram publicadas no documento Perspectiva Econômica Regional para a Europa, divulgado ontem pelo FMI. O diretor do Departamento de Europa do Fundo, Alfred Kammer, escreveu no blog da entidade que a guerra tem sido um obstáculo para que a Europa se recupere da pandemia de covid-19. “Aumentos de preços de energia e alimentos estão reduzindo o consumo, e a incerteza econômica deve restringir investimentos”, afirma. Ele lembra ainda que a Europa deveria melhorar sua segurança energética, principalmente por meio da maior eficiência e da expansão de fontes renováveis. 

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