Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Presidente do BB diz que crise causada por anúncio de reestruturação foi 'problema de comunicação'

Bolsonaro considerou demitir André Brandão por causa de plano que prevê fechamento de 112 agências e demissão de 5 mil funcionários; programa, contudo, foi mantido e começa a ser implementado nesta sexta

André Ítalo Rocha e Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2021 | 11h31

O presidente do Banco do Brasil, André Brandão, afirmou nesta sexta-feira, 12, que a crise política causada pelo plano de fechar agências foi resultado de um "problema de comunicação" e reconheceu que é "razoável" haver preocupações por parte do presidente Jair Bolsonaro, de governadores e prefeitos. Segundo ele, o banco aprendeu que deve haver uma melhora de comunicação, "com ele diretamente".

"O principal ponto que posso ressaltar é que foi um problema de comunicação. Infelizmente, a forma como anunciamos o plano naquele dia, num fato relevante, que mencionava várias coisas, inclusive o fechamento de agências, é muito razoável não só o presidente, mas prefeitos e governadores, deputados e senadores, ficarem preocupados sobre como vamos fazer isso", destacou o executivo, em coletiva de imprensa para comentar os resultados do balanço, em sua primeira fala pública desde a crise com o Palácio do Planalto.

Brandão disse que ainda não conversou com o presidente Jair Bolsonaro desde o episódio, mas acredita que ele tenha entendido os objetivos do plano. "Eu pretendo, depois, com mais calma, explicar toda a agenda de eficiência, assim que a agenda dele permitir", disse.

O executivo ressaltou que de forma alguma o banco vai deixar algum município ou Estado desassistido e disse que o banco segue com o que havia planejado.

Segundo Brandão, se antes houve falha na comunicação, agora a comunicação "está acontecendo". "Anunciamos um pouco antes porque tem um processo de trabalho, preparação, para que clientes regionais sentem com prefeitos, governadores. Tudo isso está acontecendo e hoje (sexta-feira) começa a primeira etapa em algumas localidades", afirmou.

No dia 11 de janeiro, o BB anunciou em fato relevante um plano de reestruturação do banco, que, entre outros pontos, envolve o fechamento de 112 agências e o corte de 5 mil funcionários por meio de programas de demissão voluntária. À época, Bolsonaro não gostou do plano, após sofrer pressões de parlamentares, e considerou demitir Brandão. Contudo, o executivo e o plano foram mantidos.

Plano de reestruturação começa nesta sexta

Nesta sexta, Brandão afirmou que a reorganização institucional não envolve somente o fechamento de agências, mas toda a infraestrutura física e reforçou que nenhum município brasileiro ficará desassistido. "Estamos em 4.883 municípios. Após o plano, estaremos presentes em 4.883 municípios", disse.

De acordo com o executivo, apesar do plano enxugar a rede de um lado, do outro, vai compensá-la com a abertura de outras estruturas. "De forma alguma, queremos desassistir nenhum cliente. Ao contrário, queremos mais clientes. Estamos crescendo", afirmou. "Temos 18,3 mil pontos. Após o plano, serão 18,4 mil. Serão 100 pontos adicionados."

O plano doo BB prevê o fechamento de 360 pontos de atendimento, dos quais 112 são agências físicas.

"Qualquer município afetado e se por acaso tiver só uma agência só do BB, terá um correspondente bancário ou agência +BB antes de qualquer movimentação. Tudo será feito com diálogo com clientes, municípios e prefeitos locais", explicou.

A redução de estrutura, conforme Brandão, será contrabalanceada com a abertura de 430 correspondentes bancários. Além disso, o banco está abrindo 28 agências "leves e especializadas".

"Essas unidades têm capacidade de atuação mais forte que agência e a parte transacional se reduziu substancialmente. Com isso, conseguimos uma capacitação e atendimento mais forte", disse Brandão. 

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