André Dusek|Estadão
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Presidente do BB nega pressão federal para redução de juros

Durante café da manhã com jornalistas, Paulo Rogério Caffarelli disse que corte das taxas nos bancos públicos nos últimos anos 'não foi frutífera'

Fernando Nakagawa, O Estado de SPaulo

27 Dezembro 2016 | 11h59

BRASÍLIA - O presidente do Banco do Brasil, Paulo Rogério Caffarelli, nega que o governo federal esteja exercendo pressão para que a instituição reduza os juros no esforço de retomada da economia. "Não existe pressão em relação a isso", disse hoje, 27, em café da manhã com jornalistas. Para o executivo, o corte das taxas liderado pelos bancos públicos nos anos recentes "não foi frutífera" e o executiva classifica a iniciativa passada como um "puxadinho" econômico.

"A ação do Banco do Brasil e da Caixa não foi frutífera ao cortar os juros porque os outros não o fizeram", disse. "Não foi correto. Temos de olhar para frente e fazer coisas consistentes. Não podemos trabalhar com um puxadinho", completou. "Não adianta forçar a redução dos juros."

Aos jornalistas, o presidente do BB explicou que os bancos têm mantido contato com o governo sobre iniciativas para redução do custo do crédito. "A gente tem conversado com o governo e existe disposição do sistema financeiro nacional de reduzir os spreads bancários", afirmou. "Há predisposição em acompanhar a taxa Selic de forma sustentável e não da maneira feita anteriormente."

Crédito. Sobre a expansão da carteira de crédito do Banco do Brasil, Caffarelli disse que deve voltar a crescer em 2017 com a gradual retomada da economia e a continuidade da queda da taxa Selic. "Não divulgamos os números de 2017, mas certamente cresceremos no crédito", disse o executivo.

Ele não divulgou a previsão de expansão das operações de crédito -  o chamado guidance, mas citou que a esperada volta ao crescimento da economia brasileira deve levar à "retomada dos empréstimos na pessoa jurídica". Nas operações para as famílias, o banco prevê reação em operações como o crédito consignado e financiamento imobiliário. Caffarelli repetiu a previsão da casa de que o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 0,7% no próximo ano.

Além da atividade, o executivo explicou que a expectativa de continuidade de queda da Selic também ajuda ao reduzir custos. "Com a inflação ancorada, existe a tendência de continuidade de redução dos juros", disse. "E os bancos vão se adequando", completou. 

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