Presidente do BC argentino critica governo Duhalde

?Amáveis, mas improvisados?. Com estas palavras, o presidente do Banco Central da Argentina, Mario Blejer, definiu o governo do presidente Eduardo Duhalde. Blejer, que até o ano passado foi um alto funcionário do Fundo Monetário Internacional (FMI) e há poucas semanas assumiu a presidência do BC, sustentou que ?a improvisação desta gestão? é o que mais o incomoda.Segundo ele, ?os integrantes do Poder Executivo são amáveis, atendem as ligações telefônicas e é mais confortável trabalhar com eles do que na época em que estava (o ex?ministro da Economia) Domingo Cavallo. Mas se improvisa muito e politizam-se muitos aspectos que são estritamente econômicos ou financeiros?.?Tranqüilidade temporária?Desde o início da livre flutuação do peso em relação ao dólar, a moeda americana manteve-se estável, oscilando sua cotação entre 2 pesos e 2,05 pesos. Sem intenções de cantar vitória antecipadamente, Blejer admitiu que o mercado concedeu ao governo ?uma tranqüilidade temporária? e que ?é preciso esperar para ver uma tendência definida?.Em declarações ao jornal Ámbito Financiero, Blejer sustentou que o BC poderá comprar dólares se a cotação da moeda americana cair significativamente. Para o governo argentino não é conveniente uma disparada da moeda americana, mas tampouco seria útil uma valorização do peso, que afastaria a Argentina de uma maior competividade. Blejer explicou que o ideal seria que o dólar fosse cotado entre 1,50 peso e 1,60 peso.O presidente do BC também afirmou que o governo não atenderá as pressões de empresas que pretendem que seja criado ?uma espécie de seguro retroativo, para que suas dívidas externas privadas sejam colocadas na cotação de US$ 1,00 para 1,00 peso. Isso não acontecerá. Se o fizéssemos, estaríamos rifando mais de US$ 30 bilhões das reservas atuais e futuras do país?.?Sem ajuda, não há saída?O presidente do BC sustentou que sem ajuda financeira externa a Argentina não sairá desta crise. ?É a realidade, não saímos.? Blejer considera que para receber a ajuda o governo ?terá que tomar medidas internas duras?. Entre as medidas, Blejer disse que o governo deveria analisar o futuro dos bancos estatais. O presidente do BC explicou que não está pregando o fechamento desses bancos, ?mas uma forma de, em cada um, privatizar 20%. Quem ficasse com estes 20% teria também a direção do banco?.?Foi boa?. Esta foi a definição dada pelo presidente Duhalde sobre a visita a Washington do ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, onde foram retomadas as negociações com o FMI. Segundo Duhalde, o ministro ?foi recebido com grande compreensão?, já que ?existe uma solidariedade internacional, porque entendem nossa situação?.O presidente afirmou que não se pode sustentar que a comunidade internacional teve uma responsabilidade direta na crise argentina, ?mas alguma participação teve?. Para o embaixador argentino em Washington, Diego Guelar, ?existe espírito de colaboração com a Argentina, tanto nos EUA como nos organismos financeiros internacionais. No entanto, Guelar disse que a recuperação da confiança perdida ?não será imediata?.Vaca de pelúciaSegundo o embaixador, em declarações divulgadas em Buenos Aires, as negociações entre a Argentina e o FMI ?são como a história do ovo e da galinha?: ?A Argentina não pode estar pendente exclusivamente das negociações com o FMI. A Argentina precisa colocar-se em andamento, e isto, simultaneamente, tem que ser acompanhado de uma negociação com o Fundo Monetário?.Guelar entrega nesta sexta-feira suas credenciais de embaixador ao presidente George W. Bush. O embaixador, que já ocupou este cargo no segundo governo do ex?presidente Carlos Menem, disse que entregará ao presidente Bush uma vaca de pelúcia, ?como símbolo da vontade de que ? no máximo daqui a um ano ? possamos vender carne argentina no mercado americano?. Atualmente, a carne argentina possui restrições para entrada nos EUA.Leia o especial

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