ALEX SILVA / ESTADÃO
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Presidente do BC defende maior concorrência no sistema financeiro para reduzir juros

Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central, disse em evento que a instituição trabalha para implementar a Agenda BC+, que visa promover maior eficiência do sistema financeiro e reduzir os spreads bancários

Fernanda Guimarães, Altamiro Silva Junior, Eduardo Laguna, Broadcast

30 de janeiro de 2018 | 09h59

O Banco Central está trabalhando para proporcionar mais competição ao sistema financeiro e, consequentemente, para promover maior eficiência e redução dos spreads - a diferença entre as taxas de captação e as dos empréstimos dos bancos  -, disse nesta terça-feira, 30, o presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn. 

Ilan acredita que a redução dos spreads deve continuar acontecendo em 2018 em razão da redução da Selic, da conjuntura econômica e das medidas propostas pela Agenda BC+, lançada pela autarquia para reduzir o custo do crédito.

Em seminário promovido pelo Credit Suisse, Goldfajn afirmou que o primeiro item da agenda do BC a ser debatido no Congresso neste ano é o cadastro positivo, importante para tornar os financiamentos menos arriscados. "Considero que o cadastro positivo é nossa forma de democratizar a informação de crédito, de democratizar de forma cuidadosa", comentou o presidente do BC.

Além disso, Goldfajn citou que as fintechs, por exemplo, são disruptivas e que atuam para o aumento da competição. Além dessas empresas, ele disse que o BC olha para as pequenas e médias instituições, que também precisam de apoio para ajudar a aumentar a competição no sistema financeiro no Brasil.

O spread bancário é um problema com que o País convive há décadas, segundo o presidente do BC, e qualquer mudança não deve ocorrer "de um dia para o outro". Para uma alteração desse cenário, segundo ele, é necessária uma mudança estrutural. "Tudo isso está na nossa agenda", disse.

Recuperação da economia.  Os três fenômenos mais determinantes para a conjuntura econômica brasileira do ponto de vista do Banco Central no ano passado, disse Ilan durante o evento, foram a queda de inflação e de juros, que ajudaram na recuperação da economia do País.

Goldfajn disse que no final de 2015 e início de 2016, quando a inflação estava no pico, era muito difícil imaginar que a inflação atingisse o montante observado hoje. O IPCA encerrou ano passado em 2,9%, abaixo do piso da meta.

Segundo ele, uma parte da redução da inflação foi ligada à atuação do BC, mas que a queda maior do que o esperado ocorreu por conta da deflação dos alimentos, o que não está dentro do escopo de controle do Banco Central. "Isso não é algo que conseguimos influenciar diretamente com a política monetária", disse em Conferência do Credit Suisse.

O presidente do BC disse ainda que a ancoragem das expectativas da inflação foi fundamental e lembrou que em 2016 os agentes de mercado projetavam para 2018 uma inflação da ordem de 8%. "A evolução das expectativas foi importante para a política monetária", destacou. Ele frisou, ainda, que a queda da Selic no Brasil foi uma das mais rápidas do período de metas de inflação no Brasil.

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