André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Meta de inflação de 4,5% para 2017 é ambiciosa e crível, diz presidente do BC

Goldfajn descartou a possibilidade de o BC ter de 'trabalhar sozinho' para combater a inflação e que toda a equipe está trabalhando para a economia sair da recessão

Célia Froufe, Adriana Fernandes e Eduardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

28 Junho 2016 | 11h55
Atualizado 28 Junho 2016 | 12h35

BRASÍLIA - Em sua primeira entrevista coletiva, o presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, descartou qualquer possibilidade de a instituição adotar um ajuste da meta de inflação do ano que vem. Ele repetiu trechos de seu discurso de posse para deixar claro que não havia cogitado essa possibilidade e fez questão de enfatizar que o objetivo do BC é atingir o centro da meta de inflação de 4,5% em 2017. Segundo o presidente, o centro da meta em 2017 é "ambicioso e crível ao mesmo tempo".

Goldfajn enfatizou que a meta é ambiciosa porque o País vem de uma inflação de quase 11% em 2015, mais do que o dobro da meta. "Temos condições de atingir o centro da meta em 2017, em 18 meses", garantiu. Ele disse que muito se falou os últimos dias de metas ajustadas. "No passado, já as adotamos, e foram úteis para dar transparência, além de ajudar a ancorar as expectativas, mas não parece ser neste caso no momento", declarou.

O presidente disse que as expectativas do BC para a inflação estão em torno da meta em 2017. Ele considerou que alguns analistas consideram que pode ser um pouco acima disso. "Mesmo neste caso, a magnitude do desvio não necessita ajustar a meta. Para deixar claro: a meta de 4,5% em 2017 é o nosso objetivo."

Ele descartou a possibilidade de a instituição ter de "trabalhar sozinha", conforme questionou um jornalista, para combater a alta da inflação. "Não acredito nisso (que o BC vai ficar sozinho de novo). Há coerência da equipe econômica, todos estão trabalhando para recuperação da confiança para que economia saia de recessão. Todos estão trabalhando na mesma direção", afirmou.

O presidente do BC disse que há uma mudança em curso. "Se você olhar a percepção dos indicadores e do mercado, isso já está embutido. Fica claro que há uma expectativa melhor para a frente", comparou.

Segundo Goldfajn, é importante mudar a percepção da sociedade sobre as contas fiscais e sobre a situação da economia. "No caso do BC, significa que, se isso mudar, se tirar a incerteza, o risco, isso vai reduzir as projeções da inflação e vai levar a um menor custo e a uma desinflação mais rápida", considerou. 

Cenário externo. Goldfajn voltou a dizer acreditar que o cenário global é desafiador, conforme descrito no Relatório Trimestral de Inflação (RTI). Ele citou especialmente a decisão do Reino Unido em deixar a União Europeia após referendo na última sexta-feira, no chamado "Brexit". "Acredito que o cenário global é desafiador. Vamos enfrentar volatilidade e choques ao longo dos próximos anos", afirmou. 

Segundo ele, o Brexit terá implicações para a economia global, principalmente para o comércio e crescimento da atividade no mundo, com reflexos no Brasil. "Ainda não estão completamente mapeadas as consequências para o futuro, o que produz incertezas para frente com as quais vamos ter que conviver. Sabemos que é um impacto que deve reduzir de alguma forma o crescimento global e deve influenciar o crescimento no Brasil, mas não sabemos a magnitude", acrescentou. 

Goldfajn reforçou que, caso seja necessário, o BC adotará medidas adequadas para o bom funcionamento do mercado financeiro no País. Ele lembrou que o Brasil tem condições para enfrentar essa volatilidade, como o saldo das reservas internacionais, o regime de câmbio flutuante e um sistema financeiro sólido e com baixa exposição internacional. "Acredito que impacto de curto prazo (do Brexit) está sendo contido, vamos observar impactos de médio e longo prazos no mundo e no Brasil", concluiu.

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