Presidente do BC diz que confiança virá após fortalecimento do tripé macroeconômico

Presidente do BC diz que confiança virá após fortalecimento do tripé macroeconômico

Ilan Goldfajn afirmou que é necessário, em primeiro lugar, fortalecer 'velho e bom tripé formado por responsabilidade fiscal, controle da inflação e regime de câmbio flutuante'

Álvaro Campos e Ricardo Leopoldo, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2016 | 10h11

SÃO PAULO - O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, afirmou que é necessário fortalecer o tripé macroeconômico para garantir a retomada da confiança na economia brasileira. A declaração foi dada na abertura do XI Seminário anual sobre Riscos, Estabilidade financeira e Economia bancária.

"Como tenho afirmado em declarações recentes, o elemento mais essencial para a recuperação econômica sustentável será a retomada da confiança. Para isso, é necessário, em primeiro lugar, fortalecer o velho e bom tripé macroeconômico formado por responsabilidade fiscal, controle da inflação e regime de câmbio flutuante", afirmou. 

Sobre a política fiscal, "cuja importância para a retomada da confiança não pode ser relativizada", Ilan não entrou em detalhes e explicou aos presentes que eles terão oportunidade de assistir a uma palestra do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, no final do evento. "Do lado do Banco Central, contribuiremos pela via do controle da inflação, que ajudará na redução do risco país, na recuperação da confiança e na retomada do crescimento, e pela via do respeito ao regime de câmbio flutuante".

Ilan Goldfajn, reafirmou o compromisso do BC em combater a inflação em todo o horizonte relevante à política monetária, "em particular, à meta de 2017." Segundo ele, "é olhando para o futuro que a política monetária é balizada" e "há diversos fatores que afetam as perspectivas de inflação."

Câmbio. Ilan Goldfajn disse que a autoridade poderá reduzir sua exposição cambial em ritmo compatível com o normal funcionamento dos mercados. Ilan lembrou que a atuação do BC tem resultado em redução da posição em swaps cambiais, motivada pelas condições de mercado.

Por duas vezes em seu discurso, Ilan afirmou que é importante reduzir a intervenção. "É importante caminharmos para reformas microeconômicas que reduzam distorções e evitem intervenções demasiadas, aumentando a eficiência do mercado, reduzindo os custos de crédito, aumentando a potência da política monetária e criando condições para o desenvolvimento de um mercado de capitais plenamente capaz de financiar o investimento produtivo de longo prazo", afirmou.

Ele também ressaltou a importância do regime de câmbio flutuante, "que tantas vezes mostrou seu valor como instrumento de estabilidade frente a choques". O presidente do BC afirmou que os cenários nacional e internacional ainda se apresentam bem mais desafiadores do que a média histórica. "No Brasil será de fundamental importância a implementação de ajustes e reformas capazes de restaurar a confiança dos agentes econômicos e criar as condições para recuperação da atividade com baixa inflação".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.