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Presidente do BC do México entra na disputa pelo FMI

Augustin Carstens foi lançado pelo governo mexicano e deve ser o nome dos emergentes contra a ministra francesa Christine Lagarde

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / PARIS

A disputa pelo cargo de diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), aberta ontem, em Washington, deve se limitar a dois protagonistas, mesmo que outros interessados cogitem a candidatura.

A polarização deve se dar em torno dos nomes da ministra francesa das Finanças, Christine Lagarde, e do presidente do Banco Central do México, Augustin Carstens, que ontem teve sua candidatura lançada. Além de contar com o apoio explícito da Alemanha e do Reino Unido, a França aposta na desmobilização dos países emergentes, que cogitam múltiplos candidatos.

A seleção do novo diretor começou ontem. Os pretendentes terão até 10 de junho para manifestar o interesse, 20 dias antes do prazo formal para a escolha. Apesar da agenda, em Paris se espera que a escolha deve avançar na quinta-feira e sexta-feira, quando se realiza em Deauville, na França, a reunião de cúpula do G-8. Nela, líderes dos Estados Unidos, do Canadá, do Japão, da Alemanha, do Reino Unido, da Itália e da Rússia, além dos anfitriões, deverão acenar em favor de seu candidato favorito.

E, diante do consenso na Europa, esse favorito será Christine Lagarde. Preocupado em não demonstrar ambição pelo posto, já que Dominique Strauss-Kahn também era francês, o governo da França não vai lançar a candidatura da ministra. A opção faz parte da estratégia do Palácio do Eliseu, que pretende deixar que o nome da executiva se imponha no cenário internacional - como já está ocorrendo.

Ontem, Christine Lagarde respondeu pela primeira vez sobre a eventual candidatura, mantendo o tom discreto adotado por Paris. Questionada pela rede americana CNBC, a ministra não negou que possa ser candidata: "Essa resposta pertence a outros, não a mim".

Nos bastidores, o Palácio do Eliseu já estaria à procura de um ministro das Finanças inteirado das discussões do G-8 e do G-20, grupos dos quais a França exerce a presidência rotativa em 2011. O nome mais cogitado para substituir Christine é o do ministro do Orçamento, François Baroin.

O maior empecilho para Christine é a investigação conduzida pela Corte de Justiça da República sobre um acordo entre o banco Crédit Lyonnais e o empresário Bernard Tapie, ex-proprietário da Adidas. Tapie recebeu em 2010 uma indenização de ? 385 milhões, pagos pelo contribuinte. A Justiça suspeita que o Ministério de Finanças possa ter intervindo para abreviar o caso, beneficiando o empresário.

Na expectativa de que o eventual processo possa evoluir nas próximas semanas, ameaçando a candidatura da francesa, o ministro das Finanças da Bélgica, Didier Reynders, vem demonstrando interesse pelo cargo, surgindo como outsider. Além dele, o suíço René Weber, representante de seu país no Fundo, também cogita se candidatar.

Porém, o maior adversário de Christine deve mesmo ser Augustin Carstens, lançado pelo governo do México e apoiado pelo secretário-geral da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, o também mexicano Angel Gurría.

Nem sim nem não

CHRISTINE LAGARDE

MINISTRA DAS FINANÇAS DA FRANÇA

"Eu diria que é uma questão interessante, mas ela é prematura."

"Esta resposta pertence a outros, não a mim."

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