Dylan Martinez/Reuters - Arquivo
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Presidente do BC inglês defende ação coordenada para minimizar efeito de coronavírus na economia

Para Mark Carney, impacto do Covid-19 deve ser menos persistente do que o choque com a crise financeira internacional de 2008

Célia Froufe, correspondente, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2020 | 09h59

LONDRES - O presidente do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), Mark Carney, disse nesta terça-feira, 3, estar confiante de que, se as ações coordenadas dos bancos centrais e ministros de finanças forem corretas para minimizar os impactos da disseminação do coronavírus sobre a economia global, os efeitos positivos aparecerão. Ele fez a avaliação sobre a teleconferência que está marcada para esta manhã com as autoridades das principais economias do mundo durante sessão no Comitê do Tesouro do Parlamento do Reino Unido

"Os julgamentos e considerações são sobre quais medidas podem ser mais efetivas", disse. Ele salientou que a inflação no Reino Unido e no mundo está baixa e que os juros também estão comedidos. "Então, precisamos obter o máximo de qualquer decisão (de política monetária)."

O presidente do BoE destacou que a perspectiva é a de que o Covid-19 cause perturbações, mas não destruição à economia. Sobre o Reino Unido, que lançará um plano de ação contra a epidemia nesta terça, ele enfatizou que, além da fase de contenção do vírus, há também um trabalho para tentar retardar sua proliferação.

Na avaliação de Carney, o impacto sobre a economia deve ser menos persistente do que o choque com a crise financeira internacional de 2008. "O sistema financeiro está mais resiliente agora do que em 2008", comparou, dizendo, no entanto, que são duas crises de natureza diferentes e que, tecnicamente, não podem ser comparadas. Até porque, na sua avaliação, há a expectativa de que haverá poucas repercussões no longo prazo, considerando que, em algum lugar do mundo, será encontrada uma cura ou uma vacina contra o vírus.

Ele comentou que as taxas de juros baixas ajudaram a manter a economia mundial em equilíbrio, e salientou que tem tido contato frequente com colegas de outros países e instituições, incluindo G-7 (grupo das 7 maiores economias do mundo), G-20 (grupo das 20 maiores economias do mundo) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Carney afirmou que o BOE fará todos os esforços para apoiar a economia e o sistema financeiro britânicos no caso da disseminação do coronavírus no país. "O papel do BoE é ajudar as empresas do Reino Unido, as famílias a administrarem durante de um choque econômico." 

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