Presidente do BC quer ficar até março de 2010

Ele quer liderar uma frente com partidos da base de Lula

David Friedlander, O Estadao de S.Paulo

19 de agosto de 2009 | 00h00

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, tem repetido sua intenção de permanecer no cargo todo o tempo que a legislação eleitoral permite, até março de 2010. Seu raciocínio é o seguinte: já que ele é visto no mercado financeiro como âncora da estabilidade econômica, quanto mais tempo ficar no BC, melhor. Mas há um outro componente, do qual ele fala muito menos, que pesa na conta de Meirelles. Antes de decidir se sobe ou não no palanque, o presidente do BC quer ter certeza de que tem boas chances de disputar o governo de Goiás.Para isso, ele precisa selar as composições partidárias no Estado. Seu plano é liderar uma frente integrada por todos os partidos da base do governo Lula contra o senador Marconi Perillo, provável candidato do PSDB ao governo goiano. Ele já tem a seu lado o PP do governador de Goiás, Alcides Rodrigues, até agora o maior entusiasta de sua candidatura. Conta também com apoio do PT e do PR - sem falar no próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que empurrou Meirelles para o palco eleitoral na última visita que os dois fizeram a Goiás.O problema é que o PMDB de Goiás já tem seu candidato, o prefeito de Goiânia, Iris Rezende. A presença de Iris em outra chapa dividiria a base aliada e os votos. Já uma frente única colocaria a serviço do presidente do BC as máquinas do governo do Estado, da prefeitura da capital e de municípios fortes como Anápolis, a cidade de Meirelles, que é administrada pelo PT. O esforço de Lula e do próprio Meirelles, agora, destina-se a convencer Iris Rezende a continuar na prefeitura e deixar o caminho livre para o presidente do BC. "O quadro ainda está indefinido", afirma o deputado federal Rubens Otoni (PT), um dos interlocutores políticos de Meirelles. "O PMDB defende o nome de Iris Rezende e tem a sinalização favorável de outros partidos, como o PDT. Meirelles precisará mostrar habilidade para aglutinar todos esses partidos que estão na base do governo. Foi isso que o próprio Lula disse a ele."Meirelles tinha decidido se filiar a um partido político há muito tempo. A interlocutores, dizia ter recebido convites do PP, do PR e do PMDB. Seu objetivo era capitalizar a imagem do presidente do BC que conseguiu baixar a taxa de juros para os níveis mais baixos da história. Quando explodiu a crise econômica mundial, contam seus assessores, o presidente do BC identificou outra possibilidade. Poderia colocar também o distintivo de xerife que protegeu o País, durante o sítio da crise econômica.O bom trabalho no combate à crise, no entanto, também detonou dúvidas internas. A exposição que ganhou no governo o fez voltar a pensar no antigo projeto de se candidatar a presidente da República. Ele sabe que a vaga é da ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil. Mesmo desistindo da velha ideia, ficou pensando se depois da presidência do BC o governo goiano não seria pouco para ele. A Presidência era o projeto de Meirelles quando foi o deputado federal mais votado em Goiás, em 2002. Mais tarde iria disputar o Senado e, se tudo corresse bem, o cargo de Lula.

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