Marcos Correa/PR
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Presidente do BC quer simplificar acesso ao mercado financeiro

'Precisamos dar um tratamento homogêneo ao capital, independentemente de sua nacionalidade ou se provém de um grande ou de um pequeno investidor', disse Roberto Campos Neto nesta segunda-feira

Altamiro Silva Junior, André Ítalo Rocha e Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2019 | 17h22

Para a administração do Banco Central, o governo brasileiro tem feito muito na área macro e agora precisa avançar na área micro.

"Precisamos simplificar e desburocratizar o acesso aos mercados financeiros para todos, dando um tratamento homogêneo ao capital, independentemente de sua nacionalidade ou se provém de um grande ou de um pequeno investidor", afirmou nesta segunda-feira, 3, o presidente da instituição, Roberto Campos Neto.

"Essa é uma importante ação estratégica voltada para o desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro, com base no livre mercado", afirmou Campos Neto, em discurso no lançamento da Iniciativa de Mercado de Capitais (IMK), um conjunto de medidas para estimular o mercado. "O mercado precisa se libertar da necessidade de financiar o governo e se voltar para o financiamento ao empreendedorismo."

Campos Netos disse que a IMK é um novo grupo de trabalho do governo com o objetivo de "avaliar e propor medidas de aperfeiçoamento regulatório" para reduzir o custo de capital no Brasil; estimular o crescimento da poupança de longo prazo e da eficiência da intermediação financeira e do investimento privado; e desenvolver os mercados de capitais, de seguros e de previdência complementar.

Sob a coordenação do BC, a IMK conta com representantes do Ministério da Economia, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Superintendência de Seguros Privados (Susep), todos com representantes no evento nesta tarde.

No discurso, o presidente do BC disse que nessa fase de trabalhos, o objetivo é ampliar o campo de atuação das ações para o mercado de capitais. "Além dos assuntos que já vinham sendo tratados, nossos esforços serão voltados à modernização e ampliação do ecossistema de instrumentos de private equity, do mercado imobiliário, de hedge, do mercado de derivativos, além de produtos de seguradoras, entre outros."

A atuação do IMK, disse o presidente do BC, será guiada por duas premissas. "A primeira delas é a existência de correlação entre o desenvolvimento dos mercados de capitais e o crescimento econômico", afirmou ele. "A segunda é que a saída do público e a entrada do privado abre espaço para que a modernização dos instrumento de mercado gere efeitos multiplicadores."

Juros

Roberto Campos Neto disse ainda que, quando os juros caem, é possível ver as imperfeições que existem na economia brasileira que eram encobertas quando as taxas estavam na casa dos 14% a 15% ao ano. "Temos a Selic a 6,5%, mas quando vemos os canais de transmissão, eles não se fazem apropriados e não têm a eficiência devida por causa de problemas micro", disse ele.

Campos Neto ressaltou que a agenda microeconômica de reformas é tão importante quanto agenda macroeconômica de reformas. O presidente do BC comparou o ambiente de altas taxas de juros a pilotar um avião entre as nuvens, sem visibilidade.

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