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Presidente do BCE afirma que crise ainda está em andamento

Em São Paulo, Trichet elogia pacote chinês e diz que não acredita em fenômeno de deflação no próximo ano

Célia Froufe e Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

10 de novembro de 2008 | 14h42

O presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, evitou afirmar de forma decisiva que o pior da crise já passou. "É um processo em andamento", disse durante entrevista coletiva concedida logo após a primeira parte da reunião bimestral do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), que acontece em São Paulo. Ele não deu sinais de que durante o encontro pela manhã, realizado com representantes de 30 bancos centrais de todo o mundo, tenha havido preocupação severa com uma eventual piora da turbulência. Trichet salientou, no entanto, que a crise teve início em 2007, mas que "no período recente mostrou uma intensificação das tensões".   Veja também: Presidente da China diz que pretende cooperar com Obama Saiba os assuntos que serão discutidos no G-20 De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Dicionário da crise    Trichet comemorou o pacote de US$ 586 bilhões anunciado no domingo pelo governo chinês, com o objetivo de ampliar investimentos, principalmente em infra-estrutura e de pequenas e médias empresas. "A decisão do governo chinês foi na direção certa", afirmou. O encontro bimestral, realizado nesta segunda em São Paulo, é o primeiro desde que o banco Lehman Brothers declarou concordata, em 15 de setembro, fato este denominado pelo mercado como o marco do recrudescimento da crise.   Sobre o comportamento da inflação, a avaliação de Trichet, também presidente do Global Economy Meeting, é de que os riscos de alta "diminuíram significativamente". Ele citou que as expectativas estão sendo controladas e que em alguns países até houve certo alívio. "Não diria que estamos discutindo um fenômeno de deflação, mas um fenômeno de desinflação", explicou, numa avaliação diferente da que apresentou na terça o ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante o encerramento do encontro de representantes do G-20.   Segundo Mantega, os riscos globais para o médio e longo prazo estão mais associados à deflação do que a uma aceleração dos preços, já que, de acordo com ele, a expectativa é de que haja uma redução da atividade global em função da crise.   Trichet ressaltou, porém, que há alguns países ainda que contam com uma inflação elevada e salientou que políticas fiscal e monetária, portanto, devem ser gerida caso a caso, país a país, levando em conta a dinâmica da evolução dos preços.   Para o presidente do BCE, os países que têm inflação sob controle e condições fiscais de equilíbrio, com superávit orçamentário e de conta corrente, podem adotar medidas anticíclicas a fim de reativar o nível de atividade de seus países.   Durante a coletiva, Trichet fez um balanço positivo a respeito de todas as medidas adotadas pelos Bancos Centrais no mundo para conter os efeitos da crise e retomar o processo de liquidez em diferentes mercados financeiros. "Adotamos uma postura proativa", resumiu.   Ele lembrou que os BCs procuraram atacar em duas frentes: a primeira, provendo liquidez aos mercados e a segunda, garantindo a solvência de instituições financeiras. Com isso, governo dos EUA, Reino Unido, França e Alemanha optaram por comprar participação acionária em bancos privados a fim de evitar a quebra de tais instituições, o que poderia deflagrar um risco sistêmico.

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