Presidente do BCE quer reformas na zona do euro

Para Mario Draghi, os diferentes níveis de competitividade dos18 membros do bloco são uma ameaça à integridade do grupo

LONDRES, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2014 | 02h03

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, pediu ontem a aprovação de novas regras para a implementação de reformas econômicas na zona do euro. Segundo ele, as diferenças de competitividade entre os 18 membros do bloco monetário são uma ameaça tão grande para a integridade do grupo quanto as diferenças nas dívidas públicas.

Em um discurso em Londres, Draghi afirmou que enquanto a Finlândia aparece em terceiro lugar no ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial, a Grécia está na 91.ª posição. Enquanto a Irlanda está na 15.ª colocação da lista do Banco Mundial sobre ambiente positivo para negócios, Malta é apenas a 103.ª colocada.

"Nenhuma empresa ou indivíduo deveria ser punido em função do seu país de residência. A persistência de tais diferenças cria o risco de desequilíbrios permanentes. Tendo isso em mente, eu acredito que reformas estruturais em cada país são importantes para todos os outros e assim se justifica que estejam sujeitas a uma disciplina no nível comunitário", afirmou. Sua palestra foi proferida num evento em homenagem ao economista Tommaso Padoa-Schioppa, ex-ministro de Finanças da Itália e um dos idealizadores do euro.

Segundo o presidente do BCE, a criação de novas regras sobre reformas econômicas exigiria que os governos da zona do euro adotassem "ações corretivas" para melhorar a competitividade das suas economias, fortalecendo assim a coesão do bloco monetário e ajudando a impulsionar o crescimento e criar empregos. Essas regras acabariam favorecendo as reformas, já que dariam "capital político" para tais mudanças.

"A experiência histórica, por exemplo do Fundo Monetário Internacional (FMI), mostra um argumento convincente de que a disciplina imposta por órgãos supranacionais pode facilitar o debate sobre reformas no nível nacional", comentou Draghi. "Em especial, o debate se daria não sobre 'se' as reformas são necessárias, mas 'como' elas devem ser implementadas", acrescentou.

Endividamento. Draghi também disse que as regras sobre o endividamento dos governos devem ser obedecidas à risca. "Desfazer a consolidação que foi atingida, e assim acabar com as regras de credibilidade, seria prejudicial para todos os países", comentou, numa referência a alguns chefes de governo do bloco que têm pressionado recentemente por medidas fiscais menos rígidas, para tentar estimular o crescimento.

O presidente do BCE também reiterou que a instituição está pronta para adotar "medidas não convencionais" se for necessário para evitar riscos como a deflação. Segundo ele, a política monetária continuará acomodatícia por um período prolongado e o banco central está comprometido a ancorar as expectativas de inflação de médio prazo.

"O conselho administrativo do BCE é unânime no compromisso de também usar instrumentos não convencionais, dentro do seu mandato, se for necessário combater riscos adicionais de um período muito prolongado de inflação baixa. Nós estamos fortemente determinados a salvaguardar a firme ancoragem das expectativas de inflação no médio e longo prazos", afirmou./ DOW JONES NEWSWIRES

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