Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Presidente do BNDES defende Temer: 'Fez reformas que outros não conseguiram'

Paulo Rabello de Castro afirmou que 'insensatez pública teima em afastar o presidente' e alfinetou Dilma ao cumprimentar a empresária Angela Costa: 'não precisa ser chamada de presidenta'

Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

14 Julho 2017 | 15h21

RIO -  O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, saiu em defesa do governo Michel Temer em cerimônia na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), no Rio de Janeiro.

"Precisamos inovar, voltar a crescer. Não são poucas as iniciativas do presidente Michel Temer nesse sentido. Este presidente que a insensatez pública teima em afastar foi quem, em pouco mais de 365 dias, fez as reformas que outros agraciados que tiveram mais tempo não conseguiram fazer", disse a uma plateia de empresários, como o presidente do conselho de administração do Bradesco, Lázaro Brandão, homenageado pela entidade. "Vou levar as palmas a Michel", completou.

Ao cumprimentar a empresária Angela Costa por assumir o comando da Associação Comercial do Rio, Rabello aproveitou para alfinetar a ex-presidente da República Dilma Rousseff, dizendo que Angela  "não precisa ser chamada de presidenta para ser presidente".

Envolvido em uma polêmica com a equipe econômica do governo após criticar a nova taxa de juros proposta para o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), a Taxa de Longo Prazo (TLP), Rabello de Castro ainda conclamou o empresariado a tomar a dianteira da retomada do crescimento uma vez que "o aparelho do Estado está constrangido por um teto de gastos".

"O empresário não pode esperar a máquina pública destravar. Tem que arrombar a porta da máquina pública. Não podemos esperar que o setor público venha resgatar o setor privado. O aparelho do Estado está constrangido por um teto de gastos. Não nos iludamos: a viúva está pobre, a festa acabou", disse Rabello em debate na cerimônia de posse dos conselheiros da Associação Comercial do Rio.

Rabello disse que acredita no crescimento porque o Brasil não tem mais os problemas dos anos 70, tem reservas internacionais de US$ 370 bilhões e, assim, descolou a economia da política. "Não temos o direito de achar que nós não vamos mais resgatar o crescimento", disse.

Afeito a frases de efeito, o presidente do banco disse que se sente no BNDES um "banqueiro por um dia" e um "presidente diarista". "Em um dia limpo a mesa e no dia seguinte não tem nada no Diário Oficial, então continuo no banco", brincou. Na semana passada dois diretores do banco pediram demissão em reação às críticas de Rabello à TLP, aprovada na gestão de Maria Silvia Bastos Marques.

O economista saiu em defesa do BNDES, afirmando que o banco é articulador e fomentador do crédito de forma que seja concedido sem ágio. Segundo ele, as prioridades são a inovação e buscar a interiorização vertical do desenvolvimento. A ideia é redescobrir o que chamou de empresário anônimo, pequenos e médios do interior, a quem o banco sim privilegiará com seus subsídios. Segundo ele o papel do BNDES é importante porque os bancos privados não sabem mais emprestar, já que estão rolando a dívida interna. "Mas o Brasil não come juros, come alimentos, serviços", disse.

Rabello também afirmou que o BNDES é um banco ético e limpo. "Tem gente que trabalha direito e o Tribunal de Contas da União (TCU) não precisa ficar no pé", afirmou. O TCU fará uma auditoria para analisar possíveis irregularidades em empréstimos do banco. "Brasil não precisa de babá, muito menos vestida de preto, para poder trabalhar bem", afirmou. 

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