Presidente do BSI garante que banco está sólido

Comprado pelo BTG no ano passado, banco suíço vive fuga de clientes, mas CEO diz que montante é ‘absolutamente suportável’

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2015 | 09h53

GENEBRA - O banco suíço BSI, comprado no ano passado por André Esteves, vive uma fuga de clientes desde a prisão do brasileiro que comandava o BTG Pactual. Mas o presidente da instituição, Stefano Coduri, garante que, por enquanto, a situação da instituição financeira é sólida. “O montante (de fuga de clientes) é absolutamente suportável”, disse. “Os clientes sabem que o BSI trabalha de uma forma independente em relação ao BTG”, garantiu em entrevista ao jornal suíço Finanz und Wirtschaft.

Coduri, porém, admite que a situação do banco precisa ser resolvida, principalmente diante das especulações sobre a venda do BSI pelo Pactual. “A duração de tal processo é difícil de prever”, indicou o executivo, garantindo que a situação está “sob controle.” “Mas o tempo joga contra nós. Nossos clientes têm confiança no banco, mas ela não é infinita.”

Esteves comprou o BSI em meados de 2014. Mas a agência reguladora do mercado financeiro suíço – a FINMA – demorou mais de um ano para autorizar a operação. Só em setembro, com garantias oficiais do Brasil, o BTG acabou ganhando o sinal verde e o negócio foi fechado por US$ 1,5 bilhão.

Agora, as indicações apontam que os clientes latino-americanos estariam retirando seus recursos do BSI. “Os problemas enfrentados pelo BTG oferece a eles (clientes latino-americanos) a possibilidade de deixar o banco ou reduzir suas posições nele”, explicou Corduri.

No BSI, os clientes latino-americanos chegam a representar 15% dos ativos sob gestão no banco. Em alguns casos, os recursos foram investidos em imóveis. Mas parte foi de fato interrompida. Corduri, porém, garante que não existe risco de que o BSI sofra com suas operações. “Nosso lucro bruto atingiu um nível recorde, jamais obtido desde a crise”, afirmou.

Colocado à venda em 2012, o BSI precisou de dois anos para encontrar um comprador. Quando o BTG apareceu, o sentimento no mercado financeiro suíço foi de alívio. Agora, segundo o jornal suíço Le Temps, seria o Credit Suisse quem estaria interessado em adquirir o banco. Mas oferece apenas US$ 1 bilhão pela instituição financeira.O BTG não comentou o assunto.

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