Presidente do Carf reconhece que há fragilidades no 'tribunal' da Receita

Em CPI do Senado, Carlos Barreto diz que instituição passará por reestruturação para evitar novos casos de corrupção

Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

02 de junho de 2015 | 12h49

BRASÍLIA - O presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), Carlos Barreto, reconheceu nesta terça-feira que há "fragilidades" no modelo da instituição que possibilitaram o esquema de pagamento de propinas revelado pela Operação Zelotes, da Polícia Federal.

"Reconhecemos a existência de fragilidades no modelo e, conhecendo essas fragilidades que levaram, possibilitaram ou ensejaram os desvios aqui mencionados, o Ministério da Fazenda tem orientado uma reestruturação do Carf no sentido que essas atividades tenham mais responsabilidade jurídica e que isso impossibilite os desvios que foram aqui detectados", afirmou durante depoimento na CPI do Senado que investiga o caso.

Barreto afirmou também que todos ficaram "estarrecidos" diante das revelações de que conselheiros do órgão recebiam propina em troca da redução ou até do perdão total das multas aplicadas pela Receita e disse que essa situação se tratava de uma "anormalidade".

"Estamos todos estarrecidos diante desses desvios que ocorreram dentro do Carf. Nestes 90 anos, não podemos imaginar que isso seja uma prática corriqueira, comum (na instituição). Estamos diante de uma anormalidade que precisa ser apurada com todo o rigor", disse.

Durante a sessão da CPI, o presidente da comissão, senador Ataídes de Oliveira (PSDB-TO), afirmou que os órgãos competentes haviam enviado o inquérito sobre o caso, inclusive com os dados de quebras de sigilo telefônico e bancário, para que a documentação fosse analisada pelos membros da CPI.

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