Presidente do Citigroup afasta rumores de venda

Em visita ao Brasil, executivo afirma que o Brasil não está incluído em programa de demissões

Leandro Modé, de O Estado de S. Paulo e Regina Cardeal, da Agência Estado ,

19 de novembro de 2008 | 17h27

O presidente mundial do Citigroup, Vikram Pandit, afirmou nesta quarta-feira, 19, em São Paulo, que o Brasil é um dos países prioritários para o banco. "Vamos crescer nossa operação brasileira e fazê-la mais eficiente", disse. Com essas palavras, ele tenta afastar os rumores de que estaria no País negociando a venda da instituição para algum banco nacional.   "Minha vinda já estava programada. Nos últimos meses, visitei nossas operações mais importantes no mundo", disse. Ele chegou ontem ao Brasil e volta para os Estados Unidos hoje mesmo. Pandit assumiu o comando do Citigroup em dezembro do ano passado, em substituição a Charles Prince, que saiu em conseqüência das pesadas perdas no mercado de hipotecas de alto risco dos EUA (subprime). O banco anunciou nesta semana que demitirá 52 mil funcionários no mundo todo ao longo de 2009.O Brasil, segundo o executivo, não está incluído nesse programa.   Compra de ativos   O Citigroup vai comprar US$ 17,5 bilhões em ativos para eliminar sua exposição aos veículos de investimentos estruturados (SIVs, na sigla em inglês), entidades fora de balanço, cuja criação na década de 1980 é atribuída ao próprio Citigroup. Os SIVs, que emitem dívidas de curto prazo para comprar ativos de alto rendimento, foram negativamente atingidos pelos títulos lastreados em hipotecas de segunda linha (subprime). Os problemas com os SIVs foram também um dos primeiros causadores da paralisação dos mercados de crédito há mais de um ano.   O Citigroup, que vem trabalhando para pôr ordem na casa e que na segunda-feira anunciou que cortará mais 25 mil empregos no mundo, informou que a compra praticamente não envolverá caixa e que a companhia receberá US$ 6,5 bilhões pelo suporte dado pelo banco aos SIVs. O acordo fará com que os SIVs tenham recursos suficientes para pagar a dívida sênior (a que tem preferência no recebimento) em seu vencimento. O Citi estima que poderá ter de pagar US$ 300 milhões na conclusão do negócio.   O valor justo dos SIVs era estimado em US$ 21,5 bilhões em 30 de setembro. A redução de US$ 4,1 bilhões para os US$ 17,5 bilhões estimados atualmente se deve sobretudo à venda e ao vencimento de ativos. Em dezembro, o valor estava em US$ 49 bilhões. Na ocasião, o Citigroup prometeu aos investidores dar suporte aos SIVs, que eram lastreados em bônus ligados a hipotecas e dívida do banco.   O Citigroup, que sofreu prejuízos líquidos de mais de US$ 20 bilhões nos últimos quatro trimestre em meio a baixas contábeis de pelo menos duas vezes este valor, tem visto sua ação ser negociada nos níveis mais baixos dos últimos 13 anos. Às 15h35 (de Brasília), a ação, integrante do índice Dow Jones, estava em queda de 11,60%, em US$ 7,39. As informações são da agência Dow Jones.

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