Weimer Carvalho|Estadão
Weimer Carvalho|Estadão

Ex-Hypermarcas muda comando e cria comitê de gestão

João Alves de Queiroz, o Junior, está consultando advogados para avaliar se companhia pode firmar acordo de leniência, dizem fontes

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

26 Abril 2018 | 18h41

A Hypera (ex-Hypermarcas) anunciou ontem o afastamento de seu presidente executivo, Claudio Bergamo, e de seu principal acionista e fundador, João Alves de Queiroz Filho, o Junior, da companhia. Para substituí-los, foram indicados dois executivos de carreira do grupo: Breno de Oliveira, diretor financeiro, assumirá o lugar de Bergamo, e Luiz Violland ficará à frente da presidência de administração da empresa, posição até então ocupada pelo dono da empresa, conforme antecipou o ‘Estado’.

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A saída dos principais nomes da empresa do dia a dia dos negócios ocorre em meio às conversas, ainda preliminares, de Junior para que a empresa feche acordo de leniência com a Procuradoria da República de 1ª instância, braço da PGR, segundo duas fontes a par do assunto.

O Estado apurou que Junior ainda está consultando advogados, entre eles José Luiz Oliveira, o Juca, para avaliar se a empresa firma ou não um acordo, mas o martelo ainda não foi batido. Procurados, Junior e Oliveira não retornaram os pedidos de entrevista até o fechamento desta edição. A Hypera nega que esteja negociando delação.

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Em comunicado ontem, a empresa, criada para ser a ‘Unilever brasileira”, tinha atuação nas áreas de higiene e beleza e alimentos e hoje está em medicamentos, afirmou que o afastamento de Bergamo e Junior foi voluntário. Em reunião de conselho feita ontem, a companhia também aprovou a instalação de dois comitês – um especial independente e outro de estratégia e gestão –, que contratarão nos próximos 30 dias auditoria externa e advogados. Os nomes ainda não foram definidos. Ontem, as ações da empresa recuaram 4%, para R$ 31,48.

A criação desse comitês será para auxiliar a Hypera na apuração interna de irregularidades. No dia 10 de abril, a Polícia Federal executou mandado de busca e apreensão na sede da empresa, em São Paulo, e nas casas de Bergamo e Junior. A diligência foi autorizada pelo ministro Edson Fachin, relator dos inquéritos da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). 

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Crise. A empresa de Junior, ex-dono da Arisco, teve seu nome envolvido pela primeira vez na Operação Lava Jato em junho de 2015, depois que o Estado revelou trechos do acordo de colaboração do ex-diretor de relações institucionais do grupo, Nelson Mello. Segundo o ex-diretor, a empresa teria repassado cerca de R$ 30 milhões para parlamentares do MDB por meio dos operadores Lúcio Bolonha Funaro e Milton Lyra – os dois estão presos.

Os repasses teriam como finalidade garantir a atuação desses políticos em temas de interesses da empresa no Congresso. Na versão de Mello, a iniciativa e toda a responsabilidade sobre os pagamentos ilícitos eram dele e a empresa não tinha conhecimento das transações. O executivo chegou a afirmar que reembolsou a empresa por todos os pagamentos. 

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Em seu acordo de delação premiada, Funaro afirmou que, além de Mello, Queiroz seria seu interlocutor na empresa. Ainda segundo Funaro, uma das Medidas Provisórias (MPs) pelas quais recebeu valores para atuar em favor da Hypermarcas “tinha o intuito de facilitar as transações imobiliárias de Queiroz, feitas através da empresa Stan Empreendimentos Imobiliários”.

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A operação deflagrada no dia 10 de abril foi batizada de Tira-Teima porque teve entre seus objetivos coletar provas sobre a possível omissão de Mello. O delator pode ter seu acordo de delação reincidido. Procurada, a PGR informou que se houver acordo de leniência, será conduzido na 1ª instância, sem especificar de qual Estado. 

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