Presidente do Ibama está desconfortável no cargo, diz Marina

Informação teria chegado à senadora por 'interlocutores comuns'; diretor e técnico deixaram o cargo na terça

Leonardo Goy, da Agência Estado,

02 de dezembro de 2009 | 14h33

A senadora Marina Silva (PV-AC) disse nesta quarta-feira, 2, que soube, por interlocutores comuns, que "há um certo desconforto" por parte do presidente do Ibama, Roberto Messias, em permanecer no cargo. Ontem, dois importantes funcionários do Ibama, incluindo o diretor de licenciamento, Sebastião Custódio Pires, deixaram o cargo devido, segundo fontes, às pressões do governo para que órgão ambiental libere logo a licença para o projeto da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA).

 

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"Acho muito grave que um empreendimento dessa magnitude esteja sofrendo pressões e, pelo que tudo indica, pressão política. Ao ponto de o diretor (de licenciamento) estar se demitindo e o presidente do Ibama, me parece, está muito desconfortável em continuar no cargo caso a pressão continue", disse durante audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos do Senado para discutir o projeto.

 

Ao deixar a sessão, Marina disse que não conversou com Messias e que soube desse desconforto através de outras pessoas. Messias foi diretor de licenciamento do Ibama na época em que Marina Silva ocupou o cargo de ministra do Meio Ambiente.

 

A senadora evitou cravar uma posição contra ou a favor a usina, mas disse que, em sua opinião, alguns estudos necessários, como um plano de desenvolvimento de toda a área de abrangência do projeto, não estão sendo feitos. "É um empreendimento complexo que exige uma avaliação integrada, inclusive com um plano de desenvolvimento para a área de abrangência. Você não pode fazer o licenciamento circunscrito. Tem de ver todo o entorno e isso não foi feito", disse.

 

A audiência no Senado começou por volta das 9 horas, mas teve a presença de poucos senadores. Apesar disso, está sendo marcada pela presença de dezenas de índios e representantes de organizações não-governamentais que são contrárias à usina. Durante os debates, eles interromperam a sessão por diversas vezes com palavras de ordem e músicas com letras contrárias à usina. Eles também estão se queixando que a Funai não organizou reuniões na região para ouvir as comunidades.

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