Itaú Unibanco/Divulgação
O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy. Itaú Unibanco/Divulgação

Presidente do Itaú diz que banco precisa de ‘grande transformação cultural’

Entre projetos da instituição estão um novo banco de varejo e ter 50% da receita concentrada em canais digitais, disseram executivos em dia de apresentação do banco a investidores

Aline Bronzati e Marcelo Mota, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2021 | 13h50

O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy, disse que o banco precisa passar por uma grande transformação cultural. Como pano de fundo, o executivo citou a necessidade de foco no cliente e em novas tecnologias. Durante um evento de apresentação de seus projetos a investidores, o Itaú também falou na criação de uma nova operação de banco de varejo e da necessidade de elevar - e muito - a fatia de suas operações digitais na receita total.

"Transformação, agora, tem de ser cultura. Temos de ter uma estrutura mais ágil mais simples, ter humildade de reconhecer erros e não ter medo errar", disse Maluhy, no evento. "A boa notícia é que essa transformação já começou. Temos de dar intensidade e velocidade." 

Esse novo direcionamento faz parte de uma “guerra” com as fintechs. Parte do mercado criticou o Itaú Unibanco por ter demorado a criar um banco digital independente, como fez o Bradesco, com o Next, que já chegou à marca de 5 milhões de clientes e está sendo separado da operação da instituição principal. O iti, do Itaú, chegou ao mercado bem depois.

Dentro dessa revisão cultural, Maluhy listou as mudanças que já fez desde que assumiu o comando do maior banco da América Latina, em março deste ano. Segundo ele, sua administração reduziu em um nível a estrutura do Itaú e eliminou cargos de vice-presidentes.

"Somos todos diretores, alguns são membros do comitê executivo, que está mais amplo, mais próximo do time e com mais capacidade e velocidade de decisão", disse Maluhy.

De olho no varejo

Quanto ao crescimento dos negócios, o presidente do Itaú citou a necessidade do lançamento de novos produtos, além de mais competitivos no segmento de varejo. No atacado, o foco é, conforme ele, reforçar a liderança da instituição. "Temos um pipeline robusto de operações no banco de investimento. Estamos evoluindo automatização da tesouraria", disse, sem dar mais detalhes.

Maluhy também comentou sobre o atendimento digital que, na sua visão e na do banco, é resolver os problemas dos clientes em quaisquer canais. "É ser capaz de atender cliente onde, como e quando desejam ser atendido". E cobrou foco em eficiência: "Precisamos ter obsessão por eficiência e aumentar capacidade de oferecer produtos mais competitivos a clientes".

Novo banco de varejo

O diretor do Itaú Unibanco André Rodrigues afirmou que o projeto do novo banco de varejo, o ivarejo2030, está em "fase acelerada de implementação". A ação, explicou o executivo, prevê uma revisão estratégica da operação de varejo do maior banco da América Latina, com uma nova abordagem dos negócios. "Estamos em fase acelerada de implementação. Não há tempo a perder", disse.

O projeto de ter um novo banco de varejo foi iniciado no Itaú há cerca de dois anos, ainda sob a gestão do até então presidente da instituição, Candido Bracher. Dentre as estratégias, está a combinação do atendimento da rede física com o digital, em um formato omnichannel. De 2019 para cá, o Itaú fechou as portas de mais de 600 agências.

Mais foco no digital

Os canais digitais devem representar mais da metade das receitas do maior banco da América Latina em um futuro próximo, disse Rodrigues. "Temos como ambição quadruplicar canais digitais para que possam representar 50% da receita do banco." 

O diretor de pagamentos, operações e marketing, André Sapoznik, ressaltou o crescimento do banco digital iti. "Já conquistamos quase sete milhões de clientes e estamos trabalhando para adicionar um milhão todos os meses", afirmou Sapoznik.

Na apresentação dos resultados no primeiro trimestre deste ano, há um mês, o Itaú Unibanco estipulou a marca de 15 milhões de clientes no iti como meta. Segundo Sapoznik, a estrutura do banco digital, montada já em nuvem, permite maior "modularidade e flexibilidade".

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Itaú reclama de ‘desequilíbrio de regras’ entre grandes bancos e fintechs

Copresidente do conselho do banco, Pedro Moreira Salles afirmou: ‘Estamos perdendo essa guerra’

Aline Bronzati e Marcelo Mota, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2021 | 13h50

O copresidente do Conselho de Administração do Itaú Unibanco Pedro Moreira Salles afirmou que existe certo desequilíbrio de regras entre os grandes bancos e novos entrantes no setor financeiro, como as fintechs (startups do setor financeiro). "Não há uma isonomia regulatória. Estamos perdendo essa guerra", disse ele, durante evento virtual do banco para investidores e analistas.

Para o também copresidente do conselho Roberto Setubal, a forma como os reguladores vêm tratando novos entrantes tem dado vantagem a eles, pois eles não enfrentam as mesas exigências dos incumbentes (grandes bancos) em termos de capital, liquidez e questões de combate à lavagem de dinheiro.

"Temos de cumprir questões burocráticas, que novos entrantes não são obrigados. As regras foram um incentivo para que surjam empresas, tragam novas tecnologia, mais concorrência ao mercado no sentido de torná-lo mais eficiente", avaliou Setubal.

Ele disse ainda que se ficar comprovado que não há risco sistêmico, não faz sentido ter regulação tão dura no Brasil. Defendeu ainda uma regra igual para todo o sistema financeiro. "No futuro, a regulação terá de ser isonômica. Teremos de ter uma regulação única para todo o sistema financeiro, deveríamos ter a mesma regulação e a redução de assimetrias", afirmou Setubal.

Assim, avaliou o executivo, as vantagens serão eliminadas, tornando a competição "mais igual", mais justa. Enquanto isso, Moreira Salles acrescentou que o banco tem de reagir. "Temos de aceitar a realidade como ela é.”

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