Ricardo Mazalan/AP
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Macri quer aliar Mercosul a bloco do Pacífico e pedirá ação contra a Venezuela

Presidente eleito da Argentina pedirá a aplicação da cláusula democrática do bloco contra a Venezuela, o que pode resultar em sanções ou mesmo a suspensão do país do Mercosul

Gabriel Bueno da Costa e Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE , O Estado de S. Paulo

23 de novembro de 2015 | 13h31

(Texto atualizado às 15h05)

BUENOS AIRES - O presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri, afirmou na manhã desta segunda-feira, 23, que aguarda sua primeira reunião do Mercosul com expectativa. "O Mercosul precisa avançar nos acordos com a União Europeia (UE) e convergir para uma aliança com o Pacífico e aumentar o intercâmbio em geral", afirmou. Ele mostrou vontade de destravar a negociação com a UE, na qual a Argentina é o maior empecilho, e foi claro em seu plano de se aproximar da Parceria Transpacífica (TPP), acordo comercial que inclui 12 países.

Macri também afirmou que solicitará no Mercosul a aplicação da cláusula democrática do bloco contra a Venezuela, informa a imprensa argentina. De acordo com o jornal Clarín, Macri reiterou uma promessa de campanha e disse que pedirá ao Mercosul a aplicação da cláusula democrática do bloco em relação à Venezuela. Com isso, Caracas poderia ser alvo de sanções ou mesmo da suspensão, por supostas violações aos princípios democráticos. "Vamos fazer como dissemos na campanha. Vamos invocar a cláusula democrática contra a Venezuela, isso lhe corresponder pelos abusos e pela perseguição aos opositores", afirmou Macri.

O próprio jornal argentino lembra que o governo do Brasil resiste à aplicação dessa cláusula com relação à Venezuela. Segundo o La Nación, o presidente eleito "condenou a perseguição aos opositores do presidente Nicolás Maduro e os ataques à liberdade de expressão". Além disso, o jornal informa que Macri defendeu que o Mercosul avance para lançar convênios com a União Europeia e para convergir para uma aliança com o Pacífico.

Macri detalhou seus planos na área econômica. Destacou que não terá um ministro da Economia, mas um gabinete para o setor com seis pastas (Fazenda e Finanças, Trabalho, Energia, Produção, Transporte e Agricultura). Um dos favoritos para ocupar a primeira delas é Rogelio Frigerio.

Câmbio. Em sua primeira entrevista coletiva após a vitória de domingo sobre o governista Daniel Scioli, por 51,4% a 48,6%, o conservador reafirmou a promessa de liberar o controle sobre o câmbio, vigente desde 2011, mas suavizou o prazo e a forma. Ele disse durante a campanha que a mudança vigoraria em seu primeiro dia de governo. Ontem, reafirmou que as restrições ao câmbio "são um erro", mas falou em "camadas", o que poderia sugerir o uso de diferentes cotações por setores durante um período de transição.

Banco Central. Macri defendeu um Banco Central independente e reiterou o pedido de renúncia do atual presidente, Alejandro Vanoli, a quem considera um militante kirchnerista. Vanoli é alvo de uma investigação por vender "dólar futuro" em larga escala, em uma manobra para minimizar as perdas do país em reservas, estimadas em US$ 25,9 bilhões. Em relação a esse valor, disse que "é preciso saber o estado das contas públicas". 

Estatísticas. O Instituto Nacional de Estatística e Censo (Indec) perdeu credibilidade durante os 12 anos de kirchnerismo. A inflação, estimada em 14% por ano pelo governo, está em cerca de 25% segundo consultorias. O porcentual de pobreza deixou de ser medido "para evitar estigmatização", nas palavras do ministro da Economia atual, Axel Kicillof. Macri afirmou "não haver menos de 13 milhões" de argentinos nessa situação.

YFP. O presidente eleito, que põe fim a um ciclo de 12 anos do kirchnerismo, foi mais flexível quanto à continuidade de Miguel Galuccio à frente da petrolífera estatal YPF. "Ainda vamos tomar a decisão", afirmou, salientando uma diferença com outros setores, que a seu juízo tiveram nomeações improvisadas.  

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