Presidente eleito terá o apoio da Fiesp, seja quem for, diz Skaf

O presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmou nesta segunda-feira à Agência Estado que seja quem for o presidente eleito terá todo o apoio da entidade para promover as reformas estruturais necessárias e dar condições para que o País cresça. Skaf assume nesta segunda a vice-presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI).Para o presidente da Fiesp é preciso que o próximo presidente faça um choque de gestão para reduzir gastos. Ele criticou a atual estrutura governamental, com 34 ministérios e defendeu a redução dos juros para que o governo pague menos encargos da dívida. "Através de um choque de gestão e de tomada de decisões corajosas é possível reduzir desperdícios e gastos", afirmou Skaf. Segundo ele, a Fiesp vai cobrar do presidente eleito a execução das medidas necessárias para o País, dando apoio necessário para isso. Skaf ressaltou, no entanto, que se num segundo momento a entidade sentir falta de vontade política para a execução das reformas necessárias, vai fazer uma "pressão máxima". "Sabemos dar apoio, mas também sabemos pressionar. E eu tenho certeza que não será só a Fiesp, mas também a CNI e todas as confederações das indústrias, nos estados, e outros setores como o de serviços e comércio", afirmou Skaf.Na opinião do presidente da Fiesp, o Brasil precisa enfrentar as reformas estruturais, como a tributária, a trabalhista e a sindical. Segundo ele, logo após a vitória, o presidente eleito terá muita força e deve aproveitar logo as primeiras semanas do início do governo para aprovar as reformas, "porque depois do primeiro ano de governo fica muito difícil fazer as coisas". Skaf lamentou que o debate político entre os candidatos Lula e Geraldo Alckmin seja mais de acusações. O seu desejo era de que houvesse uma campanha mais programática e com mais compromissos claros por parte dos candidatos. Ele, no entanto, disse que a campanha é fruto de um ambiente político turbulento e considera que o debate acirrado faz parte de uma disputa que está a apenas alguns dias para uma definição. "Dois Brasis"Para Skaf, existem hoje dois Brasis. O primeiro é o da indústria extrativista, como petróleo, siderurgia, mineração, papel e celulose "que vai muito bem, em função dos preços do mercado internacional". O segundo Brasil, segundo ele, é da indústria de transformação e da agricultura, "que vão muito mal". "Nós precisamos de um Brasil que vai bem como um todo. Enquanto a prioridade não for o crescimento econômico nós vamos ser isso: setores que vão bem por circunstâncias", disse Skaf. Segundo ele, o bom momento do mercado internacional para alguns produtos, como o petróleo e o álcool "apagam" os problemas domésticos como a alta carga tributária. Skaf destacou que os setores que vão bem são importantes, mas não são maioria. Ele lembrou os setores têxtil, calçadista e de móveis, por exemplo, vêm enfrentando dificuldades para se manter. CorteO presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Robson Andrade, também defendeu um plano para promover uma redução nos gastos públicos. A proposta do empresário, de corte de 2% a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) é semelhante à que foi apresentada na semana passada pelo economista Yoshiaki Nakano, integrante da campanha do candidato da coligação PSDB-PFL à presidência da República, Geraldo Alckmin. Robson Andrade disse que a proposta foi apresentada pela Fiemg no Conselho Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (CNDES), no ano passado.Segundo ele, esse nível de redução nos gastos públicos proporcionaria uma queda gradativa da carga tributária, levando-a dos atuais 40% do PIB para 25% do PIB em 2015. O presidente da Fiemg considerou positivo o fato de o debate político estar, nos últimos dias, pautando-se pelos temas econômicos, principalmente em relação à necessidade de corte de gastos pelo próximo governo.Robson Andrade disse que só com uma redução efetiva dos gastos será possível o início de uma reforma tributária no País. "Se iniciássemos agora uma reforma tributária, ela poderia implicar aumento da carga, pois não temos nenhuma redução de despesas. Primeiro, é preciso cortar gastos, para, depois, fazer a reforma tributária", afirmou o empresário.Uma das sugestões de Andrade para viabilizar o corte de gastos é a redução da quantidade de cargos comissionados no governo federal. Mas o principal, no entender do empresário mineiro, é a conclusão da reforma da Previdência. Andrade participa nesta segunda da cerimônia de posse da nova diretoria da CNI, que continuará sob o comando do deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE).

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