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Temer quer denunciar rombos em pronunciamento

Equipe do presidente em exercício está levantando dados dos ministérios para estimar buraco no orçamento

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2016 | 05h00

O presidente em exercício, Michel Temer, pediu para sua equipe um inventário dos rombos nos orçamentos, em programas contratados e alguns não realizados, além de outros tipos de desmandos ocorridos nos diferentes ministérios com os quais se deparou ao chegar ao Palácio do Planalto.

Com os dados em mãos, ele quer denunciá-los à população em um comunicado à Nação, que não sabe ainda como nem quando será transmitido. Nesse pronunciamento, Temer apresentaria ainda os principais problemas encontrados, assim como o rombo no Orçamento que já estima em mais de R$ 150 bilhões, apesar de o anúncio oficial do governo anterior dizer que não chegaria a R$ 100 bilhões.

Em café da manhã com senadores dos partidos da base aliada no Palácio do Jaburu nesta quarta-feira, 18, os parlamentares sugeriram que Temer faça um pronunciamento para apresentar a “herança maldita” recebida do governo da presidente afastada Dilma Rousseff.

Mas Temer, que ainda discute o formato que usará para apontar os malfeitos, não quer fazer pronunciamento e prefere anunciar o fato em uma entrevista ou comunicado à imprensa, pelas redes sociais ou de alguma outra forma a ser definida. Apesar de não ter data, ele foi aconselhado a fazer isso ainda esta semana.

Publicidade. No caso da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), por exemplo, que cuida da publicidade do governo, a nova equipe descobriu que toda a verba de propaganda governamental deste ano, de R$ 152 milhões, já foi consumida pela administração Dilma Rousseff.

Em razão de problemas como esse, Temer pediu a realização de um “pente-fino” dos ministros em suas respectivas pastas para verificar o andamento de programas e projetos. Também mandou fazer uma reavaliação em todos os contratos de publicidade administrados pelo ex-ministro Edinho Silva, que estão em execução, com todos os tipos de mídia, inclusive os blogs alinhados com o então governo petista.

O peemedebista solicitou a todos os ministérios o envio de seus respectivos planos de mídia, que sofrerão um pente-fino com a intenção de cortar ou suspender patrocínios que não sejam considerados estratégicos para a máquina federal ou não estejam ligados a campanhas emergenciais de interesse nacional.

“O presidente não tinha dimensão da desarrumação e do tamanho dos rombos em cada pasta”, comentou um interlocutor de Temer, ao citar que há protestos no meio cultural por causa do status da pasta, mas os manifestantes não viram que o governo Dilma prometeu mas não pagou inúmeros compromissos com o setor, que totalizavam mais de R$ 232 milhões de dívidas vencidas.

Segundo esse interlocutor, ao tomar conhecimento do problema, Temer telefonou para o ministro da Fazenda, Henrique Meireles, e pediu para ele autorizar a liberação dos recursos.

O presidente em exercício está particularmente preocupado com áreas prioritárias como saúde e educação, cuja situação é considerada por ele “comprometedora”.

Mas, antes de sair falando sobre a herança maldita, Temer quer uma radiografia mais detalhada da real situação de todas as áreas do governo.

No caso das receitas, assessores do presidente em exercício lembram que todas foram infladas e há contabilidade até do que não existe, como por exemplo os recursos que seriam provenientes da CPMF, e sem contar com a queda na receita de arrecadação, prevista em pelo menos 8%.

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