Michel Euler/AP Photo
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'Presidente tomou medidas para reforçar investimento', diz Levy em Davos

Ministro da Fazenda fala sobre estratégia econômica adotada pelo governo brasileiro no segundo mandato de Dilma durante o Fórum Econômico Mundial

Fernando Nakagawa e Fernando Dantas, enviados especiais, O Estado de S. Paulo

24 de janeiro de 2015 | 12h58


Atualizado às 14h45

Davos, Suíça - As medidas adotadas pelo governo brasileiro na área econômica tentam reconstruir a economia para permitir a volta do investimento. A explicação foi dada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça.

 Aos presentes do painel “A perspectiva da economia global”, Levy disse que a confiança no Brasil diminuiu no ano passado por conta das eleições, o que gerou incertezas. 

“Com as eleições, decidimos mudar. A presidente decidiu tomar algumas medidas para reforçar o investimento”, disse, ao comentar que o crescimento recente do Brasil foi mais ligado ao consumo e o País tenta mudar em direção à criação de demanda pelos investimentos. “Para ter investimento, precisamos de confiança, de certeza. Então, tomamos medidas para aumentar a confiança na economia”, disse, ao explicar à plateia que a confiança no Brasil “caiu no ano passado porque tivemos eleições e alguma incerteza”. 

O ministro ressaltou ainda a baixa taxa de desemprego nos últimos anos no País e explicou que o processo de inclusão e aumento de renda começou a desacelerar, o que também contribuiu para as mudanças na política econômica. "Houve muita criação de emprego nos últimos anos, muitos milhões. Temos uma das mais baixas taxas de emprego da nossa história, a mais baixa, de fato. A renda subiu muito, houve muita inclusão. Mas de alguma forma esse processo começou a desacelerar no último par de anos, em parte por causa das mudanças no preço de commodities, em todo o mercado emergente. E decidimos mudar. Tivemos eleições no ano passado, e esta (mudança) foi uma das palavras mais faladas. E o governo, a presidente, decidiram no começo deste ano tomar algumas ações".

Reformas. Levy disse durante o painel que esse esforço brasileiro acontece com “ferramentas tradicionais” da economia. Ele citou como exemplo a meta de acumular 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em superávit primário em 2015. “É um aumento significativo. No ano que vem, vamos ter mais”, disse. “Também temos o realinhamento de preços, o que é importante para tomar decisões”. 

Ao comentar sobre as reformas necessárias para o Brasil, ele defendeu que "o ponto de se ter das reformas estruturais é que nós precisamos basicamente assegurar que é mais fácil fazer negócios no Brasil, que é mais fácil pagar impostos no Brasil". "Há muito o que ser feito nessas áreas", disse.

O ministro lembrou ainda que o aumento do investimento perseguido pela equipe econômica não diz respeito apenas às decisões privadas, como a compra de máquinas e equipamentos. “Também em infraestrutura”, afirmou, ao comentar que o Brasil já possui uma regulação para Parcerias Público Privadas (PPP). 

“Estamos confiantes de que podemos ir nessa direção. Isso vai nos permitir continuar com a melhora da educação, da qualificação. Temos uma população jovem e dobramos a população universitária. Isso ajuda a aumentar o potencial de crescimento”, disse.

Impostos. Durante painel no Fórum Econômico Mundial neste sábado, 24, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, reafirmou o apoio às reformas estruturais no Brasil com a avaliação de que a adoção de reformas respalda condições de crescimento sustentável na economia. Ele citou como exemplo específico o sistema tributário. “Há muito o que fazer em impostos”, disse.

Para o ministro, mudanças econômicas geram efeito rápido no Brasil. “Se você agir rápido, você terá resposta rápida. Os empreendedores, por exemplo, reagem muito rapidamente”, disse Levy, ao comentar que a economia brasileira é “muito ágil”, durante o painel “A perspectiva da economia global”. 

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