Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

‘Presidir o Bradesco não é um objetivo, mas uma missão’

Depois de um cenário de alta de inadimplência das empresas, executivo avalia que ‘o pior já passou’ na economia

Entrevista com

Octavio de Lazari Júnior, presidente executivo do Bradesco

Alibe Bronzati e Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2018 | 05h00

O economista Octavio de Lazari Júnior soube há uma semana que seria substituto de Luiz Carlos Trabuco Cappi pelo próprio executivo. “Quase caí da cadeira.” Apesar de estar à frente da área em seguros – Trabuco também veio da seguradora –, ele não esperava ser o escolhido. “Ser presidente do Bradesco não é algo que você almeja como objetivo. É uma missão que é dada e você tem de assumir”, disse ele, em entrevista ao Estadão/Broadcast, na sede do Bradesco, na Cidade de Deus, em Osasco. Abaixo, os principais trechos da entrevista.

Trabuco falou que o seu nome foi ganhando consenso aos poucos. O sr. teve essa percepção, de que seria o escolhido?

Zero. Eu não tinha essa vaidade. Ser presidente do Bradesco não é algo que você almeja como objetivo. É uma missão que é dada e você tem de assumir. Não esperava – sempre trabalhei para crescer na organização. Estou super feliz e motivado. Vou agarrar com unhas e dentes e vamos fazer um grande trabalho.

Quando Trabuco chamou o sr. para conversar, o sr. imaginou que o assunto fosse sucessão?

Não porque ele sempre me chamava para conversar sobre a seguradora. Quando me falou sobre o assunto, quase caí das pernas, da cadeira.

O País passou por uma grande recessão e o que se vê pela frente são incertezas políticas. Como o Bradesco vai atravessar 2018?

Independentemente de carnaval, Copa do Mundo e eleições, vamos atingir nossas metas. Se o PIB crescer, a economia andar, vamos avançar. Vamos crescer a rede (de agências), atacado, alta renda. O objetivo é buscar ganho de escala e crescimento importante.

O banco já começou a conceder crédito para as empresas envolvidas na Lava Jato?

Se elas se recuperarem, voltarem a ter faturamento normal, não tem nada que impeça que a gente volte a operar com essas empresas. Mas só vamos trabalhar com empresas que não tenham impedimento.

Mas Bradesco já voltou a emprestar para alguma empresa envolvida na operação?

Não gostaria de citar empresa. Voltando a operar em situação normal, independentemente de quem seja, a gente vai voltar com crédito. Já temos negócio com essas empresas. Não dá para dizer que não vamos voltar a operar com elas. Essas empresas têm crédito corporativo no Brasil e no exterior. É nesta hora que o banco precisa estar próximo, para ajudar a companhia se reerguer. São empresas altamente geradoras de emprego.

O pior cenário para as empresas já passou?

O pior já passou. No ano passado, teve crescimento da inadimplência em médias e grandes empresas, mas foi pouca coisa. As provisões (para devedores duvidosos) que tínhamos de fazer, os impairments (de ativos financeiros) já fizemos. Estamos tranquilos.

O Bradesco tem plano de internacionalização, a exemplo do concorrente Itaú Unibanco?

Ao longo dos anos, o Bradesco fez a compra de bancos estatais e outros ativos, como o HSBC. Não há na nossa cabeça ir para fora do País porque a gente entende que tem muita coisa para fazer e expandir no País. Nos últimos quatro a cinco anos, passamos por uma crise severa econômica e política e foi no momento que compramos o HSBC. Temos uma grande rede de agências com mais de 5 mil unidades. O País entrando numa rota de crescimento sustentável, vamos capturar todo esse benefício. Somos um banco que tem mais de 30 milhões de clientes.

Quais são seus próximos passos, a partir de agora?

Estou conversando diariamente com o Trabuco sobre as indicações dos nomes do conselho. Vamos fazer isso durante o mês de fevereiro e março, até o dia 12.

Qual o futuro do Bradesco?

Vamos focar na expansão e rentabilidade. Fechamos mais de 500 agências no ano passado e vamos repensar as agências em formatos menores. Eu não posso simplesmente virar as costas para os nossos (tradicionais) clientes e dizer que o futuro é a tecnologia. Ao mesmo tempo, estamos apostando no Next, repensando o banco para as novas gerações. A tecnologia serve e está em função do negócio. Essa é a sabedoria: saber lidar com todos os públicos. Não é uma geração de cliente que vai dar o retorno de um banco de R$ 20 bilhões de lucro no ano. Temos de tratar os clientes quase que um a um. Não posso tratar de maneira igual os diferentes.

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