Preso com mais dois detentos, Cacciola passa mal no Rio

Segundo advogado, para ficar em cela individual, ex-banqueiro teria que ser transferido para São Paulo

Giuliana Vallone, do estadao.com.br,

18 de julho de 2008 | 17h08

O ex-banqueiro Salvatore Cacciola, que está preso em uma cela especial no presídio Petrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, no Rio, teve um problema estomacal em seu segundo dia no Brasil e não almoçou a comida do presídio. Segundo o seu advogado, Carlos Eluf, Cacciola conseguiu comer apenas uma maçã. Veja também:''Não sou uma bomba'', diz CacciolaCacciola não estava tecnicamente foragido, diz ministro do STFDepois de chegar ao Brasil, Cacciola afirma que nunca foi um foragido  Entenda o caso do ex-banqueiro Salvatore Cacciola O ex-banqueiro chegou ao País na madrugada de quinta-feira, extraditado de Mônaco. Preso inicialmente no Ary Franco, para detentos comuns, Cacciola - que possui curso superior - foi transferido na última noite para o Bangu 8. Ele está preso com outros dois detentos que também possuem curso superior. Na cela, segundo Eluf, há apenas três camas, um lavatório e um banheiro. O advogado afirmou que Cacciola não conseguirá ficar em uma cela sozinho em Bangu 8, já que o sistema penitenciário do Estado do Rio não possui celas individuais. Segundo Eluf, para ficar sozinho, ele teria que ser transferido para São Paulo. "Mas nós ainda não cogitamos essa possibilidade", disse.  A penitenciária Bangu 8 tem capacidade para 170 presos. Lá estão os policiais presos sob a acusação de integrarem a Máfia de Caça-Níqueis, que seria liderada pelo ex-chefe de Polícia Civil do Rio, Álvaro Lins. O ex-banqueiro ficou oito anos foragido da Justiça brasileira, acusado de causar um prejuízo de R$ 1,6 bilhão ao Banco Central quando era dono do Banco Marka. Operação A operação montada pela Secretaria Nacional de Justiça para transferi-lo começou às 10h20 da última quarta-feira, no Principado de Mônaco. Um grupo de sete pessoas, entre as quais um adido consular, um promotor e agentes da PF, encontraram-se com o diretor de Serviços Penitenciários, Philippe Narmino, no Palácio de Justiça de Mônaco. Pouco depois das 13h30, horário local - 8h30 em Brasília -, Cacciola deixou a prisão Maison d'Arrêt, na qual viveu desde 15 de setembro. A seguir, ele foi transferido em helicóptero para o Aeroporto Internacional de Nice-Côte d''Azur, em Nice, no sul da França, quando teve seu primeiro contato com o público. Passava das 16 horas quando Cacciola embarcou no vôo AF 7715 da Air France. A movimentação de policiais franceses chamou atenção dos que esperavam o embarque. Nesse momento, Cacciola permaneceu cerca de 20 minutos exposto ao público, que reagia curioso e tirando fotografias. O empresário não se mostrou constrangido com o assédio dos fotógrafos, mas não quis falar aos jornalistas. Já no Airbus A320, Cacciola sentou-se cercado de dois policiais. Pediu suco de maçã e permaneceu sentado quase todo o vôo, levantando-se apenas para ceder passagem a um dos delegados da PF que sentava à janela. Na chegada a Paris, foi protegido dos fotógrafos e levado a uma zona de segurança do terminal A do Aeroporto Charles de Gaulle. Lá, embarcou, às 22 horas, no vôo JJ 8055 da TAM com destino ao Rio de Janeiro, cidade que deixou em 2000, antes de partir para o Paraguai e, em seguida, para Roma, onde viveu em liberdade até 2007.

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