Pressão externa continua e dólar atinge máxima em 2 meses

A valorização do dólar em todo omundo continuou a repercutir no Brasil nesta sexta-feira,levando a taxa de câmbio para o maior patamar de fechamentodesde 11 de junho. A divisa terminou a semana a 1,639 real, com alta de 0,74diária de por cento. O dólar, que subiu em nove das onzesessões de agosto, acumula alta de 4,86 por cento no mês. O mercado brasileiro refletiu o fortalecimento do dólar noexterior. Com a aparente resistência dos Estados Unidos a umarecessão e com a retração econômica da zona do euro e de outrasregiões desenvolvidas, os investidores têm alterado oposicionamento no mercado internacional de câmbio. "A gente vê que economias como Alemanha, França e Itáliaestão em desaceleração, e enquanto a gente não vir uma reversãodesse quadro, o dólar vai ganhar espaço frente a todas asmoedas", disse Gerson de Nobrega, gerente da tesouraria doBanco Alfa de Investimento. Nesta sessão, o euro caiu para o menor valor em seis mesesdiante do dólar. A libra recuou para a mínima em dois anos, e oiene voltou ao nível do começo de 2008. Segundo Vanderlei Arruda, gerente de câmbio da corretoraSouza Barros, o mercado já começa a ver a mudança como umatendência de longo prazo. "Esse ajuste, talvez até um poucoexagerado nesse primeiro momento, é uma situação que algunsanalistas já estão dando como contínua e progressiva". É difícil avaliar, no entanto, se há fôlego para acontinuidade da alta do dólar no Brasil no curto prazo. Segundoos analistas, o mercado vai acompanhar o cenário internacionale o preço das commodities --que caíam cerca de 2 por centonesta tarde-- para estender ou não esse movimento. "(O dólar) tem espaço para bater próximo a 1,70 (real) aolongo do mês", afirmou Nobrega. Já Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora,acredita que a continuidade da alta é artificial e que oposicionamento dos bancos em derivativos cambiais leva a crerque o dólar possa voltar a 1,60 real no curto prazo. "Este movimento (no Brasil) é carente de basefundamentalista neste momento", escreveu em relatório. "Não há risco imediato de deterioração das contas externasbrasileiras, ancoradas num suficiente saldo de reservascambiais e no bom fluxo de investimentos estrangeirosprodutivos", acrescentou. O Banco Central realizou um leilão de compra de dólares nametade da sessão. Nenhuma das propostas divulgadas foi aceita,segundo um operador, e a taxa de corte foi de 1,6360 real.

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